23/02/2018 15h52

Polícia Civil instaurou inquérito depois que família alegou erro médico e negligência em atendimento do menino Miguel, de 1 ano, na Santa Casa. Hospital informa ter tomado todos os cuidados e atribui amputações a infecção grave.

Redação

A Polícia Civil instaurou um inquérito por suspeita de erro médico depois que um bebê teve o pé esquerdo e as extremidades dos dedos das mãos amputados ao ser internado com pneumonia na Santa Casa de Franca (SP).

A família do menino Miguel, de 1 ano, afirma que o procedimento ocorreu por complicações causadas pela aplicação errada de um antiviral e pela negligência dos profissionais diante da piora do bebê, durante a internação entre dezembro e janeiro.

“Eu só queria que ele melhorasse, porque eu confiei nos profissionais, mas eles são irresponsáveis. Aquela pediatria não tem capacidade de ter nenhuma criança”, afirma a técnica de enfermagem Lucimar Pereira Bueno, mãe da criança.

No final do mês passado, o menino chegou a ser internado novamente na Santa Casa e submetido a uma traqueostomia devido a problemas respiratórios decorrentes de uma nova pneumonia, mas foi liberado no início deste mês e se recupera bem, segundo a mãe.

O delegado Luiz Carlos da Silva, responsável pelas investigações na Polícia Civil, espera laudos do Instituto Médico Legal (IML) e pareceres do Conselho Federal de Medicina (CFM) e do Conselho Regional de Medicina (Cremesp). O caso foi registrado como lesão corporal culposa.

A Santa Casa informou que tomou todos os cuidados necessários e que o paciente perdeu parte dos tecidos e passou pelas amputações devido a uma infecção grave no organismo.

Erro e negligência

Lucimar relata que Miguel foi internado em 11 de dezembro do ano passado, depois de ser diagnosticado com pneumonia e citomegalovírus, relacionado à baixa imunidade do organismo e a sintomas como febre, dor de garganta e inchaço na barriga.

Dois dias depois, segundo a mãe, o menino começou a receber doses de um antiviral, receitado para ser ministrado de 12 em 12 horas durante um mês e meio.

Mas, no dia 17, Lucimar relata que a equipe médica aplicou de maneira errada a injeção na pele do menino, que começou a inflamar. A partir de então, o quadro clínico dele se agravou, com alergia, febre, vômito, inchaço nas pernas e mal funcionamento dos rins, conta a técnica de enfermagem.

Segundo ela, a criança foi remanejada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) depois de muita insistência.

“No dia 18, ele já ficou com a boca roxa, pra eles era normal, batimentos foram a 220, pra eles era normal, e eu em cima. Dia 19 eu ameacei chamar a polícia. Gritei que meu filho estava morrendo”, relata.

Mas, de acordo com a mãe, já era tarde. Nos dias seguintes, os membros inferiores e as pontas dos dedos começaram a apresentar sinais de necrose. No dia 26, um dos médicos da Santa Casa, segundo Lucimar, constatou a necessidade de realizar as amputações, feitas em datas distintas.

“Foi uma medicação fora da veia que deu uma alergia nele, que deu um choque e que causou tudo isso, essas perdas dele.”

A criança ainda precisou voltar ao hospital no final de janeiro, quando apresentou dificuldades para respirar. Internado, o bebê teve que receber uma traqueostomia, com a qual deverá ficar por até um ano. Ele foi liberado para voltar para casa em 9 de fevereiro. “Ele não estava aguentando mais, estava sofrendo com a falta de ar, levaram para a UTI novamente.”

(*) G1

Miguel, de 1 ano, teve extremidades dos dedos e pé esquerdo amputado após ser atendido na Santa Casa de Franca, SP (Foto: Reprodução/EPTV)

 técnica de enfermagem Lucimar Pereira Bueno, e o menino Miguel, em Franca (SP) (Foto: Reprodução/EPTV)

Miguel, de 1 ano, se recupera em casa após ter extremidades dos dedos e pé amputados em Franca (Foto: Reprodução/EPTV)

Miguel teve o pé esquerdo amputado após ser internado com pneumonia na Santa Casa de Franca, SP (Foto: Reprodução/EPTV)

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