11/11/2006 08h10 – Atualizado em 11/11/2006 08h10

Agência Anhangüera

Uma bomba de fabricação caseira – que depois se descobriu conter pólvora negra, pregos e parafusos – mobilizou sexta-feira, por quase dez horas, a Polícia Militar (PM) e o Corpo de Bombeiros diante de uma imobiliária na Rua Treze de Maio, no Distrito de Sousas. O artefato, que supostamente deveria explodir quando o portão fosse aberto, foi percebido pelo dono do estabelecimento por volta das 8h, e desativado apenas às 17h30 pelo Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da PM, que veio de São Paulo. Ninguém ficou ferido. Ainda não há suspeitos da autoria do dispositivo. O proprietário da imobiliária D. A. Paiva, Demétrio Paiva, possível alvo do atentado, conta que estranhou ao chegar ao local pela manhã e ver um pacote (do tamanho de um tubo de desodorante) embrulhado em plástico azul e fita crepe, nas escadas. Ao se aproximar, ele notou fios elétricos atando o embrulho ao portão. “Quando vi os fios, imaginei que fosse uma bomba e chamei a polícia. Não faço idéia de quem pode ter feito isso” , garantiu o empresário, que até o final da operação ainda pensava se o artefato era mesmo real ou peça de um trote de mau gosto. A dúvida foi desfeita com a ação do Gate. Usando vestimenta especial para proteção contra estilhaços, um membro do grupo armou um canhão d’água diante do portão; acionado à distância e por trás de um escudo, o equipamento disparou um jato em forma de redemoinho, que atingiu a bomba e desarmou-a. O impacto contra o objeto produziu um forte estrondo, mas não houve explosão. De acordo com o major Benedito Costa Júnior, coordenador Operacional do 8o Batalhão da PM de Campinas, a presença de pólvora, do mesmo tipo usado para carregar cartuchos de espingarda, indica que o artefato era mesmo explosivo. Os pregos e parafusos deixaram clara a intenção de ferir alguém. “Mas não podemos dizer se ele realmente seria detonado se o portão fosse aberto. Se isso acontecesse, acredito que não fosse matar, mas ia machucar” , avalia. Costa não soube precisar o alcance que a bomba caseira teria, caso funcionasse. Segundo ele, isso será determinado pelo Gate, que levou o artefato para São Paulo depois de registrar a ocorrência no 12º Distrito Policial de Sousas. “O Gate é que vai analisar o material explosivo”, afirma. “Agora será feita a investigação de uma situação que poderia justificar o artefato”, comenta o major.

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