16/04/2015 18h29 – Atualizado em 16/04/2015 18h29

O aumento do tráfego de veículos, principalmente pelo advento dos treminhões que abastecem as indústrias de celulose, está prejudicando a pavimentação da estrada que sofre também com erosões provocadas pelas chuvas

Léo Lima com informações de Ricardo Ojeda

O usuário da BR-262 está sentindo dificuldade em conduzir veículo pela rodovia e pode sofrer prejuízos e também acidentes pelo visível estado de deterioração da estrada federal. Mas, o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte), por meio do escritório regional em Três Lagoas, embora admita que a recuperação da rodovia é obra emergente, afirma que está tomando providências para que a manutenção seja realizada e os serviços de reparos concretizados. “Ninguém está de braços cruzados, alheio aos problemas da rodovia; após esses dois meses de chuvas, estamos providenciando os reparos como roçada, contenção de erosões, especialmente nos acostamentos e também efetuando tapa-buracos”, observou o engenheiro Milton Marinho, chefe do Dnit regional.

Para assuntar o estado da rodovia, especialmente no trecho entre Três Lagoas e Campo Grande, a reportagem do Perfil News percorreu os aproximadamente 320 quilômetros da BR-262, encontrando em muitos pontos a pavimentação tomada por buracos, às vezes verdadeiras crateras; mato tomando conta das margens da rodovia; e alguns com voçorocas avançando para dentro da pista. De Três Lagoas, até 45 quilômetros em direção a Água Clara, a pavimentação é perfeita.

De acordo com Marinho, levantamento do Dnit revelou que as erosões que causam preocupação ocorrem em apenas dois pontos da rodovia. Uma, no quilômetro 189, no trecho após Água Clara, perto de Ribas do Rio Pardo. A reportagem constatou – sentido Água Clara-Ribas, do lado direito da BR – esse fato. A erosão está “comendo” a pista, inclusive, sem sinalização adequada para evitar acidentes. Principalmente, à noite. Marinho contesta sobre a falta de sinalização, afirmando que no local existem cones.

ARMADILHA MORTAL

Em outro trecho, após a ponte sobre o Rio Pardo, em Ribas, em direção a Campo Grande, não existe acostamento na rodovia e a voçoroca toma conta de vários pontos. Faltando 30 km para chegar em Campo Grande, após Ribas, duas erosões ameaçam a pavimentação.

Com o advento das indústrias de celulose, houve necessidade de transporte de matéria prima – o eucalipto -, das áreas plantadas até as fábricas localizadas em Três Lagoas. Assim, centenas de caminhões bitrens e até tritrens concorrerem para o aumento do tráfego de veículos na rodovia que não foi preparada para tanto peso e tamanho trânsito. Segundo o Dnit, atualmente, registra-se um volume diário de 2.800 veículos trafegando pela BR-262.

PESADÕES

Nesse aspecto, o engenheiro do escritório regional do Dnit enfatizou que, para evitar prejuízo do trânsito de veículos menores, esses “pesadões” são obrigados a obedecer regras estabelecidas, como não formar comboios. “Entre um caminhão e outro deve haver uma distância mínima de 500 metros”, enfatizou Marinho. E tal fato foi comprovado pelo Perfil News, quando, em determinado local da rodovia, próximo a Água Clara, havia uma paralisação de veículos transportadores de madeira. Eram liberados para seguir viagem em determinados momentos, dando tempo para que não ocorresse muita proximidade entre os veículos. Mas, antes, a reportagem flagrou dois desses veículos muito próximos um do outro. “Tem que denunciar se acontecer essas filas para nós [Dnit] ou para a PRF [Polícia Rodoviária Federal], pois existe um termo de acordo para isso não ocorra; caso contrário, a empresa fica impedida de utilizar a rodovia”, comentou Marinho.

Outra dificuldade enfrentada pelo Dnit, conforme Marinho, é a falta de balança de pesagem das cargas, o que prejudica a fiscalização. E isso importa também na deterioração da pavimentação, visto que o excesso de carga impacta na massa asfáltica. “Há dez anos estamos tentando viabilizar balanças para a 262”, lamentou o engenheiro.

RECUPERAÇÃO

A empresa EMPA, contratada pelo Dnit para recuperar a BR-262 e fazer sua manutenção, conforme o órgão, teve o contrato rescindido por conta do não cumprimento do combinado. De acordo com Marinho, a empresa cumpriu apenas 10% do projeto, sendo necessário um ajuste, alteração que permitisse sua execução. Por conta disso, houve necessidade de uma nova licitação e agora os serviços devem ser realizados. “Estamos aguardando a licitação e devida contratação da empresa para reiniciarmos a restauração da rodovia”, observou o engenheiro.

OBRAS EMERGENCIAIS

De acordo com o secretário-executivo do Ministério dos Transportes, Edson Giroto, as Brs 262, 060 e 267, em cerca de duas semanas, serão alvo de obras emergenciais, paralelamente ao processo licitatório para contratação de empresas que proverão mudanças estruturais na malha viária federal que serve Mato Grosso do Sul.

Particularmente, na BR-262, o trecho entre Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo, será novamente licitado, com expectativa de início das obras de restauração para setembro deste ano.

A reportagem do Perfil News percorreu o trecho de Três Lagoas a Campo Grande e observou que em alguns pontos da BR 262 a pavimentação é impecável, inclusive que a terceira faixa devidamente sinalizada, porém, por outro lado alguns locais a falta de acostamento e buracos tomam conta da via, aumentando consideravelmente a ocorrência de acidente. Placas de sinalizações encobertas pelas vegetação é outro ponto crítico da estrada.

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Em alguns pontos da rodovia, como mostra a imagem  no trecho entre Ribas do Rio Pardo à Campo Grande a voçoroca ameaça avançar na pista e a falta de sinalização poem em risco os usuários da via, principalmente para quem trafega a noite (Foto: Ricardo Ojeda)

Voçorocas estão

Após Água Clara, no trecho que segue para Três Lagoas, a passagem de nível precisa de reparos urgentes. Buracos enormes entre os trilhos e a pavimentação ocasiona avarias na suspensão dos veículos (Foto: Ricardo Ojeda)

A sequencia de imagens mostra a situação que se encontra alguns trechos da BR 262 (Fotos: Ricardo Ojeda)

Embora , segundo o Dnit não é permitido a formação de comboios de carretas bi-trem a reportagem flagrou uma infração como mostra a imagem (Foto: Ricardo Ojeda)

Trânsito intenso e pesado compromete a malha viária que não dispõe de balança para aferir a carga (Foto: Ricardo Ojeda)

Devido a ausência de balança o excesso de peso e de carga compromete a malha viária causando sulcos e imperfeições na pista (Foto: Ricardo Ojeda)

A movimentação de carretas transportando madeira para abastecer as indústrias de celulose em Três Lagoas é constante na BR (Foto: Ricardo Ojeda)

Reparos emergenciais, como, tapa buracos, roçadas nos pontos críticos e instalação de guard rail estão sendo executados pelo Dnit , como mostra as imagens (Fotos: Ricardo Ojeda e Guta Rufino)

Carreta avariada estacionada em um ponto crítico da curva, veículo acidentando abandonado no acostamento e o desnível da passagem de nível são outros fatores que compromete a segurança de quem trafega na BR 262 (Fotos: Ricardo Ojeda)

Placas informativas escondidas pela vegetação é outra fato que compromete a segurança da via (Foto: Ricardo Ojeda)

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