04/09/2014 15h54 – Atualizado em 04/09/2014 15h54

Superintendente confirma que Três Lagoas é rota do tráfico e que corporação necessita de maior efetivo

O inspetor Ciro Ferreira revelou que o efetivo da PRF teria que ser aumentado, mas que a instituição não tem medido esforços na fiscalização das estradas e combate ao crime nas rodovias que servem o Estado

Léo Lima e Ricardo Ojeda

São 1.500 quilômetros de fronteira com a Bolívia e Paraguai, sendo 400 de fronteira seca, porta de entrada do contrabando de drogas, armas, agrotóxicos e produtos piratas. Nessa extensão, a vigilância tem que ser redobrada pelas forças policiais que atendem o Mato Grosso do Sul. E é esta a preocupação do inspetor Ciro Ferreira, superintendente da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Estado, ao tratar, em entrevista exclusiva ao **Perfil News*, sobre os problemas enfrentados pela corporação e as ações em favor de trânsito seguro nas rodovias sob responsabilidade da instituição e também no combate ao narcotráfico e contrabando de armas e outros produtos.

Segundo informações do setor de comunicação da PRF/MS, a corporação possui dez delegacias e 21 postos de fiscalização que atendem os 3.671,1 quilômetros das oito rodovias federais sob sua jurisdição. São as BRs: 060,158, 163, 262, 267, 359, 419 e 463.

Na manhã de quarta-feira (03), durante evento de reativação do posto da PRF baseado no Km 21 da BR-262, o superintendente Ciro Ferreira, não precisando o número do efetivo rodoviário federal à sua disposição, para dar suporte à fiscalização nas rodovias, lamentou a falta de maior número de agentes, enfatizando que, no último concurso realizado no país, somente sete dos 140 policiais rodoviárias que passaram no pleito e tiveram formação foram designados para integrar os quadros da corporação em Mato Grosso do Sul. “Embora o efetivo insuficiente, estamos redobrando esforços no sentido de garantir aos usuários das rodovias um trânsito seguro, buscando conscientiza-los sobre os procedimentos corretos na condução dos veículos, de forma a que não venham a cometer abusos e trazer consequências trágicas”, afirmou o inspetor.

ESTADO FRONTEIRIÇO

A situação lindeira de Mato Grosso do Sul com países vizinhos do Brasil foi um dos destaques da entrevista com o superintendente da PRF/MS. Em sendo um estado fronteiriço, Mato Grosso do Sul é considerado um dos principais corredores do narcotráfico e do contrabando. Portanto, a vigilância nas estradas, no combate a esses crimes, demanda uma união das forças policiais.

Respondendo à pergunta sobre sua posição quanto à passagem de drogas, a partir da origem, por Três Lagoas, por exemplo, Ciro Ferreira, avocando a responsabilidade à instituição que pertence, assegurou que o serviço de inteligência da PRF vem proporcionando um volume maior de apreensões, mesmo que o fato ocorra quilômetros de onde a carga deu entrada.

“A estrutura de fiscalização e segurança precisa, com certeza, ser ampliada”, observou Ferreira, acrescentando que, mesmo com pouco efetivo e equipamentos, a PRF vem aumentando o combate ao narcotráfico. “É claro que o Estado é uma rota do tráfico, mas é certo também que a PRF está atenta e dando combate aos que usam as rodovias para o transporte das drogas”, colocou o inspetor.

Enquanto o superintendente falava sobre o assunto, o comandante do 14° Batalhão de Polícia Militar Rodoviária, major Magno, aparteou e informou uma nova opção de rota que os traficantes estão usando na região para burlar a fiscalização das forças policiais. “Eles estão entrando em uma estrada vicinal, na região de Ivinhema e Nova Andradina para fugir da gente, pegando depois a BR 267”, alertou. O fato comprova a integração que se faz necessária entre as forças policiais.

EVENTOS DE COMPRAS

Uma nova edição de um evento que objetiva a venda de produtos eletroeletrônicos, principalmente, na fronteira com o Paraguai está para acontecer e tal fato importa numa maior fiscalização por parte os organismos policiais, como a PRF.

Nesse sentido, Ciro Ferreira disse que, naturalmente, a PRF vai ficar atenta nas rodovias federais que servem a região para coibir o contrabando e as irregularidades. “Não é perseguir, mas cumprir o que manda a legislação, em atendimento ao prevê a questão da cota de compra”, explicou o superintendente.

O superintendente da PRF de Mato Grosso do Sul, Ciro Nogueira falou com exclusividade ao Perfil News (Foto: Léo Lima)

Mesmo com efetivo reduzido e com fronteiras com dois países a PRF contabiliza grande número de apreensões de droga (Foto: Divulgação/PRF)

Com centenas de quilômetros de fronteira seca com Paraguai e Bolívia o efetivo da PRF não consegue atender a demanda para atacar adequadamente o tráfico e o contrabando (Foto: Hédio Fazan/Dourados Agora)

Fronteira do Brasil com o Paraguai em Ponta Porã que nesta sexta-feira promove durante três dias o evento Black Friday e vai atrair milhares de turistas para fazer compras, enquanto PRF vai montar estrutura especial para atender o movimento de veículos nas estradas fronteiriça (Foto: Divulgação)

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