02/10/2017 10h34

Desde 2012 o Brasil ocupa as primeiras posições no ranking de países perigosos para jornalistas. Em relação a Liberdade de Expressão, país está em 103º lugar.

Ygor Andrade

Em 2 de outubro de 2012, a Press Emblem Campaing (organização civil destinada a cuidar da segurança de Comunicadores ao redor do mundo), divulgou um relatório que apontava o Brasil como o 4º país mais perigoso para jornalistas.

Naquele ano, sete jornalistas foram assassinados no país, deixando o Brasil atrás somente da Síria com 32 mortos, Somália com 16 e México com 10. É importante ressaltar que estes três países tinham um agravante em que, ou havia guerra contra outros países, caso da Síria, ou guerras civis, caso da Somália. No México, os cartéis de drogas eram os principais responsáveis pelos ataques à comunicadores.

TRAGÉDIA

Em 2016, o número aumentou em 185,71% devido ao acidente aéreo envolvendo a delegação da Chapecoense onde 20 jornalistas acabaram morrendo junto com quase toda a comissão técnica e jogadores da equipe. Apenas quatro pessoas sobreviveram, entre elas, o jornalista da rádio Oeste Capital FM, em Chapecó.

Um dos casos mais recentes, em que um jornalista foi vítima da violência, é a morte do cinegrafista da rede Bandeirantes de Televisão, Santiago Andrade. Ele cobria uma manifestação no Centro do Rio de Janeiro, quando foi atingido, na nuca, por um rojão.

EM PROTESTOS

O jornalista da Rede Globo, Caco Barcellos também foi alvo de agressões durante a cobertura de uma manifestação de servidores no Rio de Janeiro. À época, a ABI (Associação Brasileira de Imprensa) divulgou nota repudiando a ação, dizendo se tratar de “uma clara violação a liberdade de imprensa, assegurada pela Legislação em vigor”

ASSASSINATOS

Ainda em 2012, no mês de outubro, o jornalista e editor do “Jornal da Praça”, Luiz Henrique George, foi assassinado junto de seu segurança, a tiros de fuzil, na cidade de Ponta Porã. À época, o jornal, que havia sido comprado por Luiz, publicara uma capa com denúncias contra um candidato a prefeito da cidade, o que causou estranheza ao editor-chefe Edmundo Tazza, que preferiu não apontar ligação entre o assassinato e a publicação do dia.

2017

Este ano, o Brasil não contabilizou nenhuma morte de qualquer profissional da comunicação em exercício, ou que estivesse sob qualquer ameaça devido ao seu trabalho, no entanto, ocupa, segundo a organização “Repórteres Sem Fronteiras”, a posição de número 103 no ranking de países com Liberdade de Imprensa. “Ameaças, agressões durante manifestações, assassinatos… O Brasil Ainda é um dos países mais violentos da América Latina para a prática do jornalismo. A ausência de um mecanismo nacional de proteção para os repórteres em situação de risco, o clima de impunidade – alimentado por uma corrupção onipresente – e a forte instabilidade política […] tornam a tarefa dos jornalistas ainda mais difícil. O campo da comunicação ainda é bastante concentrado no país, com forte influência de grandes famílias industriais, com frequência, próximas da classe política. O direito ao sigilo da fonte foi regularmente desafiado pela justiça do país nos últimos anos”, diz a organização.

Servidores atiraram um cone no jornalista, enquanto era retirado por policiais. (Foto: Alex Ribeiro)

Momento exato da explosão do rojão que matou cinegrafista Santiago Andrade.

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