15/11/2006 10h55 – Atualizado em 15/11/2006 10h55

Estadão

A seleção brasileira feminina de vôlei garantiu uma vaga na final do Campeonato Mundial na madrugada desta quarta-feira (horário de Brasília) ao superar a Sérvia e Montenegro por 3 sets a 1, com parciais de 25/17, 25/14, 21/25 e 25/20, no Ginásio Municipal de Osaka (Japão). As atuais campeãs do Grand Prix tentam conquistar o título inédito da competição.

Na decisão, a equipe comandada pelo técnico José Roberto Guimarães irá enfrentar a Rússia, que bateu a seleção italiana por 3 sets a 0, na outra semifinal. A final será disputada nesta quinta-feira, às 3h30, também em Osaka. Vale lembrar que as brasileiras já superaram as européias na segunda fase (3 a 1).

Depois de dominar amplamente os dois primeiros sets, dando a impressão de que a semifinal seria um passeio, o Brasil quase se complicou. Deixou a seleção da Sérvia e Montenegro vencer o terceiro set e comandar boa parte do quarto. “Perdemos a concentração. Foi culpa nossa. Mas vamos tentar corrigir o problema para a final”, admitiu Sassá após o jogo.

A seleção contou com uma ótima atuação de Fofão e explorou bem os recursos do seu banco. A maior pontuadora foi Sheilla, com 20 pontos (17 de ataque e três de bloqueio). Fabiana também se destacou, com 16 (12 de ataque e quatro de bloqueio).

“O jogo parecia tranqüilo, mas a Sérvia se aproveitou de nossos erros, principalmente no contra-ataque. A situação ficou difícil, mas melhoramos o bloqueio e a defesa para vencer”, comentou Zé Roberto.

No início do jogo, nem parecia que do outro lado estava uma das quatro melhores seleções do mundo. Enquanto o Brasil forçava o saque e pressionava com todas as suas armas, a equipe sérvia cometia erros seguidos e não conseguia reagir. Logo o placar era de 7/1.

O técnico Zoran Terzic tentava consertar seu time, sem sucesso. Enquanto isso, Zé Roberto tratava de exigir que as brasileiras mantivessem a seriedade. Fofão variava o jogo, buscando os ataques de meio e de ponta, e impedindo qualquer tentativa de reação. Em mais um erro, Djerisilo atacou para fora e deu o 25º ponto ao Brasil, em 21 minutos.

O panorama se repetia no segundo set, com o Brasil abrindo uma vantagem de cinco pontos. Mas então a situação se inverteu. Foi a vez de a Sérvia dificultar o passe brasileiro. Uma série de erros e desatenções permitiu às sérvias encostar.

Com 11/10 no placar, o time acordou. Fofão cravou um ace, chamou Fabiana para o jogo e ampliou novamente, para 18/10. Uma verdadeira máquina de fazer pontos, o Brasil venceu com um rápido ataque de meio de Walewska: 25/14 em 21 minutos.

Faltava pouco para garantir a passagem à final. Mas a Sérvia resolveu dificultar. E para isso recorreu ao bloqueio. Marcando muito bem o ataque brasileiro, conseguiu equilibrar as ações e valorizar cada bola, ao mesmo tempo que Nikolic começava a acertar a mão. Virou o placar em 14/13 e logo abriu três pontos.

 

Batalha de nervos

O Brasil não conseguia controlar a ansiedade. Começou a cometer erros até Nikolic explorar o bloqueio e fazer 25/21, em 26 minutos. Foi a hora de mostrar, além de volume de jogo, muita concentração e equilíbrio emocional. Ainda mais depois de a Sérvia fazer 9/4 no início do quarto set. Mais confiantes, as jogadoras sérvias tentavam impor seu ritmo, enquanto as brasileiras continuavam errando muito.

Como sempre, a reação veio com Fofão no saque. A vantagem caiu para um ponto e na seqüência o bloqueio brasileiro cresceu para empatar o jogo. Carol Gattaz entrou e levou o time à virada, com 17/15.

A pressão mudou de lado. Os erros, também. O ataque da Sérvia começou a ficar na rede, enquanto Mari, Jaqueline e principalmente Sheilla viravam suas bolas. E foi num erro da atacante Ognjenovic, mandando para fora, que o Brasil fechou o quarto set, em 24 minutos, e o jogo, garantindo a classificação para a final.

“O Brasil já disputou uma final em 1994 e essa será a nossa segunda chance de conquistar esse título inédito”, disse Zé Roberto após a sua equipe garantir a vaga na decisão. “Estou feliz que tenhamos vencido, mas não fiquei satisfeito com o desempenho do time em determinados sets”, finalizou.

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