18/04/2019 09h05

No mês passado, mutirão do HU surpreendeu equipe do ambulatório de ginecologia e médico acredita que preconceito ainda iniba o método contraceptivo mais utilizado no mundo

Campo Grande News

O Humap (Hospital Universitárip Maria Aparecida Pedrossian), no campus da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) em Campo Grande, lançou e depois renovou um mutirão para mulheres interessadas em utilizarem o DIU (Dispositivo Intrauterino) de cobre. As senhas para agendar o procedimento acabaram em dois dias e os meses de abril e maio já estão “lotados”.

A procura surpreendeu a equipe do Ambulatório de Ginecologia que organiza o mutirão e mostra, para além do aumento na busca pelo DIU, a dificuldade, para as mulheres, de realizarem o procedimento no dia-a-dia do SUS (Sistema Único de Saúde). É o que pensa o ginecologista e chefe da Unidade Materno-Infantil do Humap, Ricardo dos Santos Gomes.

Ele acredita que ainda exista preconceito com relação ao DIU nas equipes de saúde e afirma que o hospital deve abrir novos agendamentos para o mês de maio. “Deu muito mais gente do que a gente imaginava, em maio vamos ter novos DIUs, a gente vai conseguir doação de material. Isso é uma resposta positiva, mostrou o quanto está deficiente a inserção do DIU”, comenta.

“As pessoas falam que tem muita dificuldade, o DIU sofre alguns problemas, muitas vezes preconceito dos profissionais, então é um procedimento que poderia ser feito em uma unidade básica, mas nas unidades rodam muitos clínicos, que se sentem inseguros. Daqui um ou dois anos ‘rodam’, é um trabalho de uma educação muito contínua”, afirma, sobre a rotatividade de médicos nas unidades de saúde.

Passo a passo – Em Campo Grande, para conseguir o procedimento é necessário procurar uma unidade de saúde. Antes de agendar a consulta, ainda assim, as mulheres têm que participar de uma palestra que orienta sobre todos os métodos contraceptivos. Ricardo argumenta que essa demora pode desestimular as mulheres de utilizarem o DIU.

“De modo geral [ocorre] no CEM [Centro de Especialidades Médicas], mas também não estava dando conta, na verdade uma das coisas que falavam é que não queriam, às vezes o médico pede ultrassom, para que venha menstruada, aí pede uma palestra para a gestante decidir, desestimula a colocarem”, diz.

A Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) afirma, por meio da assessoria de imprensa, que a escolha do método contraceptivo “é uma decisão conjunta da mulher e do profissional”.

“A colocação vai seguir os critérios médicos que devem ser respeitados. A partir de fevereiro deste ano, o encaminhamento para consulta com o ginecologista e planejamento familiar passou a ser regulado pelo sistema Sisreg, ou seja, é necessário que haja um encaminhamento feito pela unidade básica”, declarou.

Centro de Especialidades Médicas em Campo Grande (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

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