24/09/2019 09h11

Campo Grande terá biofábrica para produção de mosquitos com a bactéria que faz o Aedes aegypti reduzir a capacidade de transmissão de doenças

Gisele Berto

Um grupo de trabalho com representantes do Ministério da Saúde, Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul, Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande e Fundação Oswaldo Cruz está reunido nessa semana na Capital para definir o cronograma de implantação do Método Wolbachia, para combater o mosquito Aedes aegypti.

O coordenador do programa World Mosquito Program (WMP), Gabriel Sylvestre, explicou que a reunião de trabalho tem como objetivo adaptar o cronograma de implantação de projeto às condições do município, que deve durar o período de dois anos e meio. “Nossa intenção é iniciar a soltura dos mosquitos de forma gradual por conjunto de bairros, levando em consideração a área, população e a quantidade de Aedes aegypti em cada região”, explicou. Também será montado em Campo Grande uma biofábrica para a criação do mosquito com Wolbachia.

O coordenador estadual de Controle de Vetores e Zoonoses, Mauro Lúcio Rosário, disse que a intenção é produzir o mosquito com Wolbachia para o combate do Aedes em Campo Grande, mas também estender para outros municípios. Ele ressalta que o método é uma solução a médio e longo prazo, necessitando que a população continue as ações preventivas de combate a dengue. “As ações tradicionais de prevenção a dengue, zika e chikungunya ainda são necessárias. Continuamos as ações por todo o Estado”, disse.

Campo Grande foi uma das três cidades do País a serem escolhidas para a etapa final do método Wolbachia para o combate ao mosquito Aedes aegypti, antes da sua incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS). Os mosquitos com Wolbachia carregam esse microrganismo, natural em 60% dos insetos, que dentro das células do Aedes aegypti reduz a capacidades deles na transmissão de dengue, zika e chikungunya. O outros municípios onde esse trabalho está sendo realizado são Belo Horizonte (BH) e Petrolina (PE), demandando investimentos de R$ 22 milhões.

Os mosquitos com Wolbachia carregam esse microrganismo, natural em 60% dos insetos, que dentro das células do Aedes aegypti, reduz a capacidades deles na transmissão de dengue, zika e chikungunya. O método é autossustentável porque uma vez liberados no ambiente eles ajudam a criar uma nova geração de mosquitos que já nascem com a Wolbachia.

Na natureza, o método acontece da seguinte forma: as fêmeas do Aedes aegypti com a bactéria transmitem naturalmente a Wolbachia para os filhotes. Se o mosquito fêmea não tiver a bactéria, mas for fecundada por um macho que tenha a Wolbachia, se tornará estéril e seus ovos não geram novos mosquitos.

Foto: Agência Fiocruz de Notícias

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