Caso aconteceu em Campo Grande; professor diz que “visita” do animal em sala de aula não é algo comum, embora a convivência com estudantes seja muito boa e respeitosa.

GLOBO.COM – “Aluno novo galera”. Três minutos após chegar na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em Campo Grande, é com uma foto e esta legenda que a acadêmica de turismo, Gabriella Emy Oguro, de 22 anos, contou para os colegas o encontro inesperado que teve, ao se deparar com uma capivara na sala de aula, nessa terça-feira (12). Do grupo de WhatsApp, a foto passou a ser compartilhada e viralizou nas redes sociais.

“Eu fui a primeira a chegar, sempre chego cedo na faculdade. Vi que a porta estava entreaberta e entrei na sala. Vi que tinha a capivara e não me assustei em nenhum momento. Ela estava umas duas carteiras ao lado de onde eu sento. Achei uma situação engraçada e tirei a foto para mandar ao grupo da sala, dizendo: aluno novo galera. O pessoal ficou rindo e alguns até se arrependeram de não chegar mais cedo”, disse ao G1 Gabriella Emy Oguro, de 22 anos.

De acordo com a estudante, o bloco onde estuda fica ao lado do Lago do Amor, que é uma área verde da universidade com um lago onde é frequente ver capivaras e jacarés. “Ali perto tem bancos com essa vista para o lago, é um lugar legal e que traz muita paz. Além disso, também é bem fresco. Estava bem calor naquele horário, o ar-condicionado ficou ligado horas antes e acho que por isso ela estava ali. Nós já temos a capivara como nossa mascote”, comentou.

Jovem enviou foto para o grupo de WhatsApp e anunciou para colegas em MS: ‘Aluno novo galera’. Foto: Gabriella Oguro/Arquivo Pessoal

O professor na área de ecologia e pesquisador do Instituto de Biociências da UFMS, Luiz Gustavo de Oliveira Santos, ressaltou que existem dois grupos familiares de capivaras ao redor da universidade. “São cerca de 80 animais nos quais fazemos exames veterinários, colocamos brinco vermelho na orelha, como é o caso desta capivara que foi flagrada pela estudante. A gente marca, conta, coloca GPS e por isso sabemos tantos detalhes, assim como é feito em outros parques da cidade, como o das Nações, o Sóter e o Anhanduí”, afirmou.

Conforme Santos, a “visita” do animal em sala de aula não é algo comum. “A convivência com os alunos é muito boa e eles respeitam, porém, não é algo que ocorre com frequência, principalmente porque as capivaras possuem hábitos noturnos. Elas ficam em dois grupos que não se misturam, uma ao lado do lago e a outra em outra parte da mata dormindo. Durante a noite, quando o fluxo de carros é menor, elas saem”, ressaltou.

No entanto, há cerca de dois meses, o professor percebeu algumas mudanças. “Temos observado que, com o tempo seco e a chuva que tardou a começar, elas estão procurando locais com grama suficiente e se espalhar mais, buscar uma área mais adequada. Mas elas passam por exame veterinários com frequência e vamos continuar acompanhando”, finalizou Luiz.

Comentários