17/11/2006 20h37 – Atualizado em 17/11/2006 20h37

Assessoria de Comunicação

A Companhia Energética de São Paulo (CESP) tem colocado à disposição de autoridades dos estados de São Paulo e de Mato Grosso do Sul dados técnicos, informações e resultados de estudos que possam ajudar nas investigações que estão sendo feitas sobre a mortandade de peixes no rio Paraná. Essas mortandades foram inclusive detectadas recentemente entre os municípios de Guaíra, no reservatório de Itaipu, e Porto Rico, no estado do Paraná. A CESP está acompanhando de perto a questão desde agosto, quando começaram a aparecer quantidades significativas de peixes mortos. O problema envolve especialmente a espécie armau (Pterodoras granulosus). No dia 2 de outubro, a CESP comunicou oficialmente o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) sobre a questão, colocando-se à disposição daquele órgão e informando, inclusive, que a ocorrência tinha significativa repercussão nas comunidades de pescadores profissionais da região. Exemplares de peixes mortos foram enviados pela CESP para um centro de pesquisa especializado. No início de novembro, a Empresa obteve o retorno do estudo técnico, que dava como causa da morte dos peixes a contaminação tóxica por sulfato de cobre. Esse resultado foi transmitido pela CESP às autoridades, inclusive para os especialistas da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) de Mato Grosso do Sul, que agora pesquisam a origem desse produto químico que causou a contaminação. A CESP, em vista de notícias veiculadas em jornais da região, enviou correspondência prestando esclarecimentos e informações a diferentes órgãos ambientais, representantes do legislativo e a promotores públicos que atuam diretamente na área de ocorrência da morte dos peixes. Um comunicado técnico também foi colocado pela CESP no seu site, no item que trata sobre mexilhão dourado. Controle do mexilhão A experiência e a capacitação dos técnicos da CESP no trabalho de preservação ambiental foram reconhecidas pelo Ministério do Meio Ambiente, quando, em 2004, esse solicitou à CESP que assumisse a coordenação da implantação da campanha da Força-Tarefa Nacional para o Controle de Mexilhão Dourado na Região do Alto Paraná. A Empresa desenvolve desde então um amplo trabalho de conscientização sobre o mexilhão dourado e de técnicas para seu controle. Houve reuniões nas usinas da CESP com técnicos de prefeituras, empresas de água, Polícia Ambiental e ONGs, entre outros segmentos representativos das comunidades da região. As populações ribeirinhas receberam informações por meio de atividades desenvolvidas no barco-escola e no ônibus-escola utilizados pelo Programa de Educação Ambiental da CESP, além de material educativo produzido especialmente sobre o assunto. Esse trabalho contou com a participação inclusive da imprensa regional, que dispõe de farto material produzido pela CESP sobre esse trabalho de divulgação. O site da CESP, www.cesp.com.br, também contém material sobre o controle do mexilhão dourado na bacia do Alto Paraná. A incidência de mexilhão dourado hoje atinge várias usinas hidrelétricas nos rios Paranaíba, Tietê e Paranapanema, por exemplo, tendo afetado inicialmente, no Brasil, a usina de Itaipu, que hoje também administra processo de infestação. Operação integrada O mexilhão dourado é um molusco de água doce originário da Ásia que invadiu a América do Sul pela bacia do rio da Prata nos anos 90, trazido pela água de lastro dos navios mercantes. Por tratar-se de uma espécie exótica e sem predadores naturais, o organismo se espalhou rapidamente pelos rios do sul do continente. Para administrar os efeitos dessa invasão na produção de energia elétrica, a CESP implementou em suas usinas o Programa de Manejo e Controle do Mexilhão Dourado, que vem sendo desenvolvido de maneira conjunta e integrada pelas áreas de meio ambiente e de geração da Empresa. Visando a preservação da produção de energia elétrica, é importante observar a presença do molusco nos equipamentos que afetam diretamente a geração de energia. Assim, o controle do mexilhão pela CESP é feito fundamentalmente com esse propósito. A CESP esclarece que não usa e nunca usou nenhum produto para matar o mexilhão dourado em suas usinas e nos respectivos reservatórios. O programa da CESP prevê ações que propiciem a melhoria da segurança dos sistemas de produção de energia frente à presença do organismo invasor, com técnicas que induzam o molusco a não se fixar em determinados componentes vitais para o processo de produção de energia, como os sistemas de refrigeração, à água, de unidades geradoras. A remoção mecânica durante as manutenções preventivas dos equipamentos, com a destinação adequada dos resíduos da infestação, é medida que objetiva manter o atendimento à demanda de produção de energia elétrica. Na Usina Hidrelétrica Engenheiro Sergio Motta (Porto Primavera), apenas o sistema de resfriamento das unidades geradoras é adicionalmente protegido pela adição de cloro, durante cerca de duas horas por dia, cuja vazão corresponde a 0,034 % da vazão turbinada da usina. Nas outras 22 horas do dia, o sistema de resfriamento opera sem qualquer tipo de tratamento. A adição ocorre com injeção do ativo dicloroisocianurato de sódio (Dicloro), em quantidades inferiores às utilizadas para tratamento de água destinada ao consumo humano. Esse ativo, fornecido na forma de pastilhas efervescentes, como derivado clorado de origem orgânica, não forma trihalometanos (THMs) em níveis significativos. O Dicloro é aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Resolução nº 150, de 28 de maio de 1999, e já vem sendo aplicado em processos de desinfecção em águas para abastecimento público em cidades de pequeno porte, como na cidade mineira de Juiz de Fora. Esse processo, após período de verificação de sua eficácia, está em implantação nas usinas Ilha Solteira, Jupiá e Três Irmãos, nas quais a presença do mexilhão dourado já é uma realidade. A Resolução Conama 357, de 17 de março de 2005, estabelece 1,00 ppm (parte por milhão) como teor máximo de cloro residual nos efluentes. O tratamento realizado pela CESP gera, no seu efluente, no máximo 0,16 ppm, o que é muito inferior ao limite estabelecido pelo Conama, ainda mais quando considerado o tempo de tratamento de apenas duas horas por dia. Com as medidas preventivas tomadas, a CESP, embora tenha impactos nos custos de manutenção, está convivendo com a infestação sem que tais problemas afetem a produção de energia. O trabalho da CESP para controle do mexilhão dourado foi apresentado pelo Ministério do Meio Ambiente do Brasil em uma reunião em Londres, promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2004, por meio do órgão que cuida de águas marinhas internacionais. Essa apresentação foi muito bem-sucedida e levou a CESP a ser indicada pela ONU como uma das fontes mundiais sobre controle do mexilhão dourado em um documentário produzido pela BBC de Londres. A equipe da BBC passou três dias na Usina Porto Primavera produzindo parte desse documentário, que já está concluído e em exibição.

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