14/10/2019 10h21

Giseli começou a espalhar o amor quando morou no Rio de Janeiro e subia nas comunidades para entregar presentes: “espero servir de instrumento e incentivo para que outras pessoas façam o mesmo”, diz

Gisele Berto

Cinco anos atrás, quando se mudou para Maricá, no Rio de Janeiro, a três-lagoense Giseli Vergete, 34, não imaginava que começaria ali uma tradição que carrega até hoje: a dedicação ao próximo – especialmente crianças.

Mãe de um menino autista de 14 anos, ela ingressou na Associação de Mães do Serviço de Atendimento e Reabilitação Especial de Maricá (Sarem). Com essas mulheres aprendeu a subir as comunidades cariocas para levar brinquedos, roupas, alimentos.

“Ninguém quer ver a dificuldade do outro”, conta. “A gente precisa sair da nossa zona de conforto e perceber que tem gente que realmente não tem nada, algumas casas nem têm banheiros”. Segundo ela, em suas “incursões” sempre levava seus filhos. “Eu queria mostrar o mundo para eles e mostrar como eles precisavam ser gratos”, diz.

Nesse tempo em que ficou no Rio, devido à questão de segurança, precisou “adaptar” algumas realidades. Por exemplo, nunca contou aos filhos a profissão do seu marido – perito criminal. “Para eles, ele era engenheiro. A gente subia os morros, eles falavam com o pessoal de lá e quando perguntavam o que o pai fazia, eles não podiam dizer que era da polícia para não dar problema. Eles só souberam que ele era da polícia quando voltamos a Três Lagoas”.

A família – pai, mãe, três filhos e mais uma bebê a caminho – voltou ao Mato Grosso do Sul em janeiro. Com ela, veio o novo hábito de levar carinho às crianças que precisam.

Aqui, Giseli participa da Associação Fazendo a Diferença, de Pais, Amigos e Profissionais do Transtorno do Espectro Autista. Na última semana, ela levou bolo para 300 crianças da APAE de Três Lagoas. No mesmo dia, deixou um bolo também para 40 crianças que fazem Equoterapia na Polícia Militar.

Sem contar com doações, ela “tira” do próprio orçamento para fazer os bolos. “Hoje eu tenho condições de me dedicar a isso e me satisfaço ajudando os outros. Deus me abençoou e eu quero dividir, e quero servir de instrumento de incentivo para outras pessoas que, às vezes, ficam paradas em casa e que têm condições de ajudar mas acabam cuidando só da própria vida. Caridade é você tirar da sua mesa e dividir o pão”, acredita.

“Depois que comecei a ajudar eu só prosperei. Só peço que Deus me ajude a ajudar”, conclui.

Giseli (de azul, no centro) levou bolo e carinho para as crianças da Equoterapia, em Três Lagoas. Foto: Arquivo Pessoal

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