Indústria de celulose aguarda decisão da corte arbitral, marcada para o final desse mês, para anunciar investimentos

Em meio à crise de empregos causada pelo coronavírus, a Eldorado Brasil, fabricante de celulose sediada em Três Lagoas, pode ser a salvação da lavoura para quem está à procura de uma oportunidade de se recolocar no mercado.

A empresa não confirma oficialmente o lançamento da segunda planta, mas informações obtidas internamente pelo Perfil News dão conta de que o anúncio é questão de tempo.

A Eldorado está em meio a uma disputa acionária na corte arbitral. A decisão está marcada para o final deste mês – e deve definir os próximos anúncios.

Independentemente de quem assuma o controle da empresa (seja o grupo J&F, que é o atual controlador, com 50,59%, ou a Paper Excellence, que tem 49,41% e pleiteia a parte da J&F), o anúncio da linha 2 (que deve levar o nome de Vanguarda) já é certo.

Inclusive, toda a parte de infraestrutura de fundações e terraplanagem já está pronta e, assim que o martelo da Vanguarda for batido, as obras civis já devem começar.

Obras de infraestrutura foram feitas em 2015 – e já deixam a construção do projeto bastante adiantada

Com isso, mais uma vez a cidade se transformaria em um canteiro de obras e a Eldorado poderia fazer jus ao próprio nome, se transformando no “El Dorado” para aqueles que estão buscando emprego – além de salvar a economia de Três Lagoas e do estado de Mato Grosso do Sul, que buscam saídas para aumentar a arrecadação e reaquecer a indústria local.

Logística

Um dos indicativos de que a segunda planta de celulose da Eldorado está para ser anunciada foi a conquista de uma nova área no Porto de Santos, por parte da Eldorado, para ajudar a escoar o aumento de produção. Em leilão realizado no final de agosto, a empresa arrematou, por R$ 250 milhões, um novo terminal no Porto – outros R$ 250 milhões serão investidos em obras de modernização do espaço.

Visão Externa Terminal Eldorado Porto de Santos
Visão Externa do Terminal da Eldorado no Porto de Santos. Foto: Arquivo/Eldorado

A Eldorado projeta que a operação no novo terminal se inicie no segundo semestre de 2022, quando as obras de modernização forem concluídas. Assim que o novo terminal estiver operando, a empresa ganhará em eficiência logística e competitividade, já que o espaço terá capacidade para armazenar mais de 100 mil toneladas de celulose e movimentar mais de 2 milhões de toneladas por ano.

“O objetivo de buscar um novo terminal dentro do Porto de Santos sempre esteve entre os planos de otimização logística da Eldorado Brasil, já que o atual terminal chamado Rishis está localizado em uma área secundária do porto, sem acesso direto ao cais. Sendo assim, o novo terminal portuário trará mais eficiência e, consequentemente, competitividade, permitindo que a companhia sirva com ainda mais qualidade seus clientes” afirmou, em entrevista ao Perfil News, o Diretor Comercial, de Logística e Relações com Investidores, Rodrigo Libaber.

Atualmente, a empresa exporta mais de 90% de sua produção para mais de 40 países e tem o Porto de Santos como um ponto vital da sua cadeia logística.

Inauguração do primeiro terminal da Eldorado no Porto de Santos, em 2015

Segundo Libaber, “o novo terminal está em consonância com os planos de expansão da companhia, que pretende ampliar sua produção em Três Lagoas”. A ideia é passar do atual patamar de 1,75 milhão de toneladas de celulose por ano para 4 milhões de toneladas.

Mais do que o aumento de capacidade de armazenagem, a nova operação permitirá ainda que os fardos de celulose, que hoje chegam pela malha ferroviária ao terminal Rishis, no Porto de Santos, desembarquem diretamente em um terminal com acesso direto ao cais. O terminal Rishis está localizado em uma área secundária do porto e sem acesso ao cais, o que faz com que a empresa tenha que transportar essa carga novamente por caminhões até o berço, onde ficam os navios.

“A conquista do novo terminal no Porto de Santos foi um passo importante para o anúncio da linha 2, na medida em que assegura o escoamento competitivo, possibilitando o destravamento de investimentos futuros expressivos”, disse o executivo.

Apesar de não confirmar a data do anúncio da segunda linha, Libaber deixou no ar que a atual linha de produção da Eldorado já chegou ao seu limite. “A empresa segue em trajetória de expansão, com resultados operacionais e financeiros vigorosos, o que demonstram a correção dos nossos rumos atuais. Já estamos bem acima da capacidade operacional da fábrica e temos expandido, de maneira consistente, nossa base de clientes”.

Áreas de horto

Para suprir a segunda linha de fabricação a Eldorado precisará, também, ampliar sua área de horto florestal, para conseguir madeira suficiente para alimentar mais uma fábrica de celulose.

Atualmente a empresa tem mais de 200 mil hectares de florestas plantadas de eucalipto, o que está bem acima da necessidade para a produção anual de cerca de 1,7 milhão de toneladas de celulose em 2019.

Floresta da Eldorado. Foto: Assessoria

A empresa estima que seriam necessários cerca de 400 mil hectares de áreas produtivas (ou seja, além das conservadas) para atender a demanda atual e a futura proveniente de uma eventual segunda linha, que totalizaria a fabricação de 4 milhões de toneladas anuais de celulose. “Esses são elementos que estamos analisando nos estudos para a expansão da nossa fábrica”, afirmou Libaber.

Comentários