Capital apresenta uma média de 14 casos para cada 100 mil habitantes; em Três Lagoas são 45 para cada 100 mil. Governo estuda “endurecer medidas” caso números continuem aumentando na cidade

Ao observar o gráfico de casos confirmados de Covid-19 em Três Lagoas é fácil entender porque o Governo do Estado está com os olhos voltados à cidade.

Com 55 casos positivos e uma população estimada de 120 mil pessoas, Três Lagoas tem uma média de 45 casos para cada 100 mil habitantes. Na Capital, com 128 casos e 895 mil habitantes, essa média é de 14.

A discrepância acendeu a luz vermelha no Governo do Estado. O Secretário de Saúde, Geraldo Resende, esteve na cidade nesta semana para inaugurar, oficialmente, o drive-thru de testes e para entregar leitos de UTI no Hospital Nossa Senhora Auxiliadora.

O gestor mostra preocupação com a cidade, especialmente em decorrência da proximidade da cidade com São Paulo. “Três Lagoas é uma das cidades que mais nos preocupam hoje pelo acréscimo no número de casos e pela proximidade com SP”, afirmou, salientando que as cidades paulistas próximas a Três Lagoas estão vendo crescer o número de confirmados.

Nesta quarta-feira, 29, durante a live diária realizada pelo Governo do Estado, o boletim informou que o Estado registrava nove casos novos – todos de Três Lagoas.

Secretário Geraldo Resende (centro) veio a Três Lagoas inaugurar o drive-thru de testes para Covid. Foto: Ricardo Ojeda

Lockdown

Ainda durante a live transmitida pelo Facebook, o Secretário Resende afirmou que poderia pedir o confinamento da cidade, o temido lockdown, caso o número continuasse a crescer.

“Não temos receio de tomar medidas duras se forem necessárias. Não descartamos sugerir o lockdown se os casos continuarem a crescer exponencialmente”, afirmou.

O lockdown é a medida mais extrema para conter a circulação de pessoas. Implica a paralisação de uma cidade, estado ou país, a interrupção de deslocamento e a manutenção somente de atividades entendidas como essenciais, como a segurança pública, a saúde e coleta de lixo.

Gráfico acompanha evolução das infecções na cidade. Barras vermelhas apontam os óbitos. Arte: Perfil News

Raio-X

Até esta quinta-feira, 30, Três Lagoas apresentava 55 casos confirmados de infecção por coronavírus. Três desses casos confirmados estão internados em hospital – dois em leitos públicos e um na rede privada.

Desses 55, 21 podem ser considerados recuperados – são as pessoas que finalizaram a quarentena. Três pessoas morreram em decorrência da doença.

O bairro com a maior incidência de casos é o Santos Dumont, com seis ocorrências. Isso se deve à localização da casa de repouso que fica no bairro e acabou sendo um dos principais focos da doença na cidade.

Jardim Alvorada figura com quatro casos, seguido por Jardim Cangalha, Jardim Progresso e Vila Nova, com três cada.

Situação dos casos confirmados e suspeitos em Três Lagoas. Reprodução do boletim

Situação dos Hospitais

Apesar de não ter nenhuma pessoa internada em UTI em decorrência de Covid-19 na cidade, Três Lagoas se prepara para não passar sufoco. Segundo a Secretária de Saúde, Angelina Zuque, a cidade conta com 20 leitos exclusivos para Covid: 10 habilitados pelo SUS no Auxiliadora e 10, particulares, no Cassems.

A Suzano, indústria de papel e celulose, fez a doação de oito respiradores para a cidade. Mas, devido a dificuldades técnicas, eles ainda não foram instalados.

Segundo a empresa, os aparelhos possuem “características adicionais” e necessitam de treinamento para operação.

Suzano comprou 15 novos respiradores, avaliados em R$ 170 mil cada; oito vão atender Três Lagoas . Fotos: Saul Schramm

A empresa afirma que tomou conhecimento das dúvidas técnicas e entrou em contato com o fabricante na China, inclusive contratando e envolvendo profissionais especializados para participar das reuniões com a empresa.

A Suzano enviou ao Perfil News uma nota explicando a situação dos respiradores. “Após uma série de contatos e reuniões com o fabricante, foram constatadas algumas características adicionais dos respiradores que a Suzano (…) compartilhou com as Secretarias de Saúde dos estados e municípios que receberam a doação, orientando, inclusive, para que o uso e operação destes respiradores sejam precedidos de análise por técnicos com conhecimento do tema e operados de acordo com as características que o equipamento apresenta, bem como para os casos que sejam compatíveis com sua tecnologia e modo de operação”.

Além disso, a Prefeitura também comprou mais 40 respiradores, mas desses apenas 25 têm prazo de entrega: devem chegar em 25 de maio.

O atraso na entrega e no início da operação dos respiradores doados motivou uma reunião realizada ontem, 29, no Ministério Público. Estiveram presentes representantes da Prefeitura, do Hospital Auxiliadora e do Ministério Público. A ata pode ser lida abaixo.

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