03/02/2012 07h44 – Atualizado em 03/02/2012 07h44

Concorrência com a China já afeta contratações da indústria do vestuário

O segmento reivindica junto aos governos federal e estadual um regime tributário competitivo para evitar o agravamento do problema

Sisitema Fiems

A concorrência com os produtos importados da China já está afetando as contratações feitas pelas indústrias têxteis e do vestuário de Mato Grosso do Sul, que, por meio do Sindivest/MS (Sindicato Intermunicipal das Indústrias do Vestuário, Tecelagem e Fiação de Mato Grosso do Sul) e da ABIT (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), pleiteiam junto aos governos federal e estadual um regime tributário competitivo para o segmento. Segundo o presidente do Sindivest/MS, José Francisco Veloso Ribeiro, a entrada de um expressivo volume de produtos importados do mercado asiático compromete em cheio a competitividade da indústria local e nacional.

DADOS

Dados do Radar Industrial da Fiems constaram que, no último trimestre de 2011, houve em Mato Grosso do Sul uma redução liquida de 697 postos formais de trabalho no segmento, enquanto em igual período de 2010 esse número tinha sido de 26 postos. “O cenário aponta para um indicativo de mudanças ocorridas no ambiente de negócios do setor ao longo do período. A concorrência com os importados se torna desleal diante de benefícios oferecidos por outros países. No caso da China, segundo a ABIT, as fábricas têxteis e de vestuário recebem subsídios de até 75% no preço do algodão, além de terrenos para a construção das indústrias e uma série de isenções fiscais”, ressaltou Francisco Veloso.

Na avaliação dele, é imprescindível que os governos repensem os benefícios oferecidos ao segmento, tanto em âmbito federal, quanto estadual. “No âmbito federal temos o movimento Emprega Brasil, que visa à desoneração e condições igualitárias de concorrência com os importados e o fortalecimento da indústria da moda e da manutenção de emprego e renda no País. Aqui, no Estado, o Governo sempre foi sensível à situação, mas precisamos que melhore rapidamente as condições de desoneração dos tributos para termos preços mais competitivos e, com isso, estancar as demissões e voltar a gerar mais emprego e renda nas indústrias de confecção e têxtil”, declarou.

IMPORTAÇÕES

Ainda conforme levantamento do Radar da Fiems, em 2011, a China respondeu por US$ 246,5 milhões das importações sul-mato-grossenses de produtos têxteis ou 62%, enquanto nas importações de produtos do vestuário as compras feitas junto às empresas chinesas alcançaram o equivalente a US$ 31,5 milhões ou 66% do total. Em nível nacional, segundo dados do IBGE, a produção do segmento têxtil e vestuário apresentou uma redução de 14,9%, enquanto as vendas de tais produtos no mercado nacional se expandiram em 4,12%, indicando, deste modo, que produtos têxteis e do vestuário importados vem sistematicamente ocupando mais espaço no consumo nacional.

Em decorrência disso, desde de 2007, o movimento Emprega Brasil, que reúne empresários, trabalhadores, professores e estudantes do setor têxtil e de confecção brasileiro, reivindicam junto ao Governo medidas urgentes para conter a onda de demissões e a avalanche de importações. Naquele ano, em mais de 20 cidades, com grande concentração de empresas têxteis e de confecção, as indústrias paralisaram as máquinas e patrões e funcionários foram às ruas. No ano seguinte, 2008, foi criada a primeira composição da Frente Parlamentar Mista pelo Fortalecimento da Indústria Têxtil e de Confecção, sendo que hoje o segmento já conta com a segunda composição da Frente. Agora, neste ano, o Emprega Brasil retoma o movimento, buscando alertar a sociedade civil e o governo quanto ao risco de desindustrialização da Moda Brasileira.

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