30/08/2019 14h24

Em um verdadeiro Clube do Bolinha, encontros reúnem homens de todas as idades e classes sociais; mulheres não entram para não causar ciúmes nas patroas: “As esposas dão um alvará de soltura e a gente fica aqui confraternizando, com uma cervejinha”, diz o dono do bar

Gisele Berto

Tem motoqueiro, advogado, promotor, empresário de todos os ramos de atividades, pecuaristas. Entre um gole e outro de cerveja, todos os assuntos são permitidos: tem dono de comércio aprendendo sobre nascimento de bezerro, empresário ouvindo lamentações de advogados. É um divã, regado a cerveja gelada e churrasco. Mas, adaptando o velho ditado, “o que é falado no Tchesco, fica no Tchesco”.

Tchesco, no caso, é o uruguaio Yamandu Ferreira, dono do Bo’Tchesco, um bar que acabou virando ponto de encontro para uma confraria de três-lagoenses chegados a um bom bate-papo, regado a cerveja e carne.

Neste final de semana, a Confraria Bo’Tchesco comemora cinco anos. Nesse tempo, o grupo já recebeu mais de 40 membros. Alguns tiveram de abandonar o grupo por compromissos profissionais. Mas a maioria continua lá, firme e forte.

SÓ COM CONVITE

No entanto, não é qualquer um que pode entrar para o Clube do Bolinha: precisa ser convidado de um membro e seu nome passa por consulta prévia. Tipo um Serasa, só que de cerveja e carne. “É para manter a qualidade do grupo”, dizem os amigos.

Outra regra: mulher não entra. O Clube do Bolinha é assim, segundo eles, para não rolar ciumeira com as patroas em casa. Elas sabem que só vai ter homem na roda de conversa e muitas se sentem melhor assim. “As esposas dão um alvará de soltura no sábado à tarde e a gente fica aqui confraternizando, com uma cervejinha”, diz o dono do bar.

MUITO ALÉM DA CERVEJA

Mas nem só de festa vive o homem. Como a Confraria reúne empresários e algumas figuras importantes da cidade, várias vezes o pessoal se reúne para fazer o bem. Não é raro rolarem vaquinhas e apoios da turma a causas beneficentes. Entre outras coisas, o grupo já colaborou na arrecadação de verbas para o Hospital Auxiliadora, da Casa dos Idosos e ajudou no Espeto Solidário.

TEM URUGUAIO NO CHURRASCO

Natural de Salto, no Uruguai, Tchesco está em Três Lagoas há 15 anos. Veio para cá por amor: sua esposa trabalhava em Foz do Iguaçu e ele, quando saiu do Uruguai, foi para Foz, trabalhar na usina Itaipu. Lá encontrou a mulher que viria a ser o grande amor da sua vida.

O casal ficou em Foz por 20 anos em Foz do Iguaçu e depois decidiu se mudar para Três Lagoas. Quando abriu o boteco, nem ele podia imaginar que se tornaria um point de alegria e descontração para os amigos, os botchesqueiros.

Se você chegar ao Bar Botchesco e perceber uma mesa grande, cheia de homens rindo e conversando, nem adianta pedir para comer o mesmo do que eles estão se servindo: o grupo leva a sua própria carne. Neste sábado, 31, por exemplo, os irmãos Casagrande (participantes da confraria) ofereceram um novilho Angus para servir de refeição aos amigos e comemorar o aniversário do grupo.

Para a Confraria, apenas a bebida é comprada no bar. O próprio Tchesco prepara o churrasco – ou algum membro do grupo que queira se atrever a servir de chef para a turma. A turma sempre contribui com um dinheiro para que o amigo uruguaio não saia no prejuízo.

Apesar disso, todo mundo que chega ao lugar é bem-vindo. O Bar Botchesco fica no bairro de Interlagos, na rua José Goulart Pereira, 1105. Mas, para entrar para a confraria, só conhecendo um membro – e passando pelo crivo da galera. Sabe como é… para não perder a essência.

A confraria reúne, hoje, 36 membros. Fotos: Arquivo pessoal

O uruguaio Yamandu Ferreira, o Tchesco, é quem comanda o bar que recebe a turma.

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