27/08/2014 09h45 – Atualizado em 27/08/2014 09h45

Três Lagoas, Brasilândia, Santa Rita do Pardo, Selvíria e Anaurilândia estão com as contas de energia elétrica 35% mais caras; a população reclama do aumento “abusivo”

Léo Lima com Max Millian

O três-lagoense está indignado e reclama do “abuso” praticado pelo governo em conceder aumento de 35% nas contas de energia elétrica a ser conferido a partir desta quarta-feira (27) aos consumidores de Três Lagoas, Brasilândia, Santa Rita do Pardo, Selvíria e Anaurilândia. O reajuste tarifário foi concedido pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e a concessionária Elektro vai aplicar nas próximas contas de luz a serem enviadas aos consumidores.

“Atualmente, já pago uma exorbitância de R$ 80, R$ 90 por mês, quanto mais agora com esse aumento de 35% nas contas de luz daqui para frente”, desabafou a dona de casa Juliana Gomes, moradora no Jardim Oiti há 12 anos.

“Vamos ter que rever o esquema de consumo da loja; temos muitos aparelhos ligados”, conferiu o gerente de uma loja de departamentos, no centro da cidade. Somente nesse estabelecimento, cerca de 60 aparelhos (entre televisores e de som) ficam ligados durante todo o tempo, como forma de atrair a clientela.

DESPESAS REPARTIDAS

O Shopping Popular, conhecido como “Camelódromo”, atualmente possui 108 boxes, todos com contas de consumo de energia próprios. Mas, a conta final é repartida entre os lojistas. Um deles é Valmir Bessa, que há cinco anos exerce a atividade. Ele fez questão de mostrar as contas de consumo de energia guardados. A pequena loja tem cerca de cinco pontos de consumo de energia (lâmpadas e tomadas), “e este mês vou pagar aproximadamente R$ 20 sobre o consumo do mês passado; no mês que vem, então, a coisa vai ficar mais cara”, observou Bessa.

Valmir fez ainda uma comparação com sua casa, onde diz pagar uma média de R$ 65 por mês. “E lá também a gente faz economia; mas, com esse aumento, vamos ter que economizar ainda mais”, comentou.

FALA POVO

A reportagem do Perfil News foi às ruas coletar as opiniões das pessoas a respeito do aumento na tarifa de energia, mais precisamente os clientes da Elektro. Veja o resultado:

“Um absurdo, como a gente morando tão perto de uma hidroelétrica e um preço absurdo desses”, reclamou Neide Coutinho Batista, que tem um comércio no bairro Interlagos.

“É mais um absurdo que nossos governantes estão fazendo com nosso sofrido país”, colocou o professor Edevalte Porto Viator Júnior, morador no Jardim Dourados.

Já seu colega Antônio Conrado da Silva Júnior, que reside no bairro Interlagos, diz que o reajuste “faz parte do acordo contratual”.

O estudante do nível médio, Lucas Araújo Aranha, morador no bairro Vila Nova, vai mais longe na cobrança, além do aumento da tarifa energética: “A nível da cidade precisamos de mais qualidade”.

Mais conformado, enquanto pedalava sua bicicleta pelo centro da cidade, Antônio Januário concordou: “tudo sobe, não tem muito que reclamar, a maioria das coisas estão subindo de preço”.

Ao contrário, Rodrigo de Souza Silva, que mora no Jardim Carandá e que também pedalava uma bicicleta pela área central de Três Lagoas, disparou: “isso é uma injustiça”.

TARIFA

O deputado estadual Eduardo Rocha, representante do Bolsão Sul-mato-grossense no Legislativo de MS, ressaltou que o “tarifaço” pode inviabilizar tanto a permanência quanto a vinda de novas indústrias para o Mato Grosso do Sul, pois para os consumidores de alta tensão, o aumento será de 40,7%.

“É muita falta de respeito com o sul-mato-grossense e especialmente com a população da região Costa Leste do nosso Estado, a Aneel autorizar um aumento de 35% na tarifa de energia elétrica. Pior ainda, a indústria e o comércio, aqueles que recebem energia de alta tensão, irão pagar um aumento de 40%”. Segundo o parlamentar, o aumento, que começa a valer as partir de hoje (27) vai atingir mais de 2,4 milhões de consumidores residenciais atendidos pela empresa Elektro. Para este tipo de cliente, o reajuste será de 35,7%. Para os consumidores de baixa tensão, o aumento será de 35,9%.

A Aneel informou que, para calcular o reajuste, considera a variação de custos que a empresa teve no ano, e que a conta inclui custos típicos da atividade de distribuição, sobre os quais incide o IGP-M, além de outros custos que não acompanham necessariamente o índice inflacionário, entre eles, a compra de energia, encargos de transmissão e encargos setoriais. De acordo com a Agência, o item que mais impactou o reajuste da Elektro foi o aumento dos custos que a empresa teve com compra de energia.

No comércio, a economia vai ter que ser mair pois a tarifa será aumentada em cerca de 40% (Foto: Léo Lima)

Acompanhada do esposo, Juliana esperava uma loja do centro abrir as portas, quando foi abordada para falar do aumento da conta de luz:

O comerciante Valmir Bessa mostra a conta de energia elétrica e também reclama do aumento da tarifa (Foto: Léo Lima)

Neide Coutinho, que tem uma loja no Interlagos, diz que o aumento

Edvalte põe a culpa no governo por conta do reajuste da tarifa de energia elétrica (Foto: Max Millian)

O professor Conrado diz que a situação faz parte de acordo entre o governo e as concessionárias (Foto: Max Millian)

O estudante Lucas exige mais qualidade no serviço prestado pela concessionária de energia elétrica (Foto: Max Millian)

Antônio Januário se conforma:

Indignado, Rodrigo, que mora no Jardim Carandá, diz que o aumento

A reclamação sobre o aumento nas contas de energia elétrica é geral entre os consumidores três-lagoenses (Foto: Léo Lima)

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