17/09/2018 11h12

Por mais seis meses de prazo para cumprir determinadas pré-condições, o preço a ser pago pela PE subiria de R$ 4 bilhões para R$ 10 bilhões, justificado pela valorização da Eldorado e de seus pares no setor de celulose e papel.

Redação

A cada dia que passa, um acordo entre Paper Excellence (PE) e J&F Investimentos pelo controle da Eldorado Brasil parece ficar mais caro e distante. O jornal Valor Econômico apurou que, em uma das rodadas de negociação, depois de o conflito ser levado à Justiça, as sócias na produtora de celulose chegaram a estimar valores para um possível aditamento ou novo contrato de compra e venda.

Por mais seis meses de prazo para cumprir determinadas pré-condições, o preço a ser pago pela PE subiria de R$ 4 bilhões para R$ 10 bilhões, justificado pela valorização da Eldorado e de seus pares no setor de celulose e papel.

A conversa sobre os termos de um eventual acerto surgiu no último fim de semana de agosto, em Los Angeles, nos Estados Unidos. Naquele momento, a PE já havia iniciado a ação judicial contra a J&F e estava claro que o prazo de 3 de setembro previsto em contrato não seria cumprido pelos asiáticos.

Entre sábado e domingo, representantes da família Batista se reuniram duas vezes com o dono da PE, o empresárioindonésio Jackson Wijaya, e seus assessores, inicialmente para tratar sobre o acordo vigente, assinado em setembro de 2017 e válido por 12 meses.

Na primeira conversa, as discussões ficaram concentradas em alternativas para que o contrato, declarado extinto pela J&F em 4 de setembro, fosse mantido. A holding dos Batista ofereceu prazo adicional de 30 dias para que a PE liberasse garantias cedidas em dívidas da Eldorado, pré-condição para a aquisição do controle.

A PE insistiu na proposta de emprestar ou aportar recursos na produtora de celulose, antes de efetivar a compra do controle, e assim quitar os compromissos e destravar as garantias prestadas pela J&F. A holding dos Batista novamente recusou esse modelo.

A PE, então, pediu um prazo maior para cumprir a pré-condição e ouviu da J&F que um adicional acima de 30 dias teria de ser tratado como um novo negócio. Os asiáticos disseram que não tinham a intenção de discutir um novo acordo — a PE não reconhece a extinção do contrato firmado em 2017 –, mas pediram que a J&F apresentasse as bases caso as conversas avançassem nessa direção. Uma nova reunião foi agendada para o domingo.

A partir desse momento, os relatos divergem. A interlocutores, a J&F afirma que partiu da Paper Excellence a iniciativa de propor o exercício sobre os novos termos, considerando a concessão de prazo adicional de seis meses aos asiáticos.

Foram levados em conta o desempenho recente da Eldorado, o novo cenário de preço da celulose e câmbio e múltiplos de suas pares. Chegou-se a um valor estimado de R$ 10 bilhões para a parcela da companhia que ainda não pertence à PE, R$ 6 bilhões acima do que seria pago anteriormente. Mas nenhuma proposta foi colocada na mesa.

Fontes próximas à PE, porém, afirmam que a J&F teria pedido os R$ 6 bilhões adicionais para seguir adiante com o negócio, valor que foi rejeitado. A empresa alega judicialmente que a holding dos Batista não cooperou no processo de liberação das garantias, o que acabou resultando no descumprimento do prazo contratual, e aposta na consumação da compra do controle via arbitragem.

No acordo original, a Eldorado foi avaliada em R$ 15 bilhões, incluindo dívida de R$ 7 bilhões a R$ 7,5 bilhões. Se o preço de venda for revisto, os fundos de pensão Petros e Funcef, que já venderam suas ações à PE, tem direito a receber a diferença.

A PE desembolsou R$ 3,8 bilhões pela participação de 49,41% que detém na Eldorado e já transferiu cerca de R$ 11 bilhões para contas no Brasil, dos quais R$ 4 bilhões para pagamento pelas ações dos Batista e cerca de R$ 7 bilhões para amortizar compromissos da produtora de celulose.

Neste momento, segundo fontes próximas à J&F e à PE, não há tratativas entre as sócias. Depois de duas audiências de tentativa de conciliação, nos dias 22 e 27 de agosto, e do encontro no fim de semana entre as duas datas nos Estados Unidos, não houve mais contato.

A PE vai recorrer de decisão judicial que não atendeu a pedidos da empresa, mas determinou que nenhuma mudança seja feita na administração da Eldorado. A J&F está impedida de vender suas ações até que a constituição do tribunal arbitral.

A PE já notificou a Eldorado com vistas à convocação de assembleia de acionistas para escolha de um nome para o assento ao qual tem direito no conselho de administração da companhia, formado por cinco membros. Pela Lei das S.A., todo acionista detentor de mais de 15% do capital tem direito a eleger um conselheiro.

Procurada, a PE informou que “vai continuar tomando as medidas cabíveis para preservação e exercício dos seus direitos garantidos no contrato de compra do controle da Eldorado Brasil e reitera que está disponível para concluir a operação”.

Em nota, a holding dos Batista declarou: “A J&F esclarece que o contrato foi terminado, em vista da não liberação de suas garantias pela Paper Excellence, condição essencial do negócio. E lamenta que a PE tenha iniciado disputa judicial e continuará a defender seus direitos. Espera ter com sua sócia a mais respeitosa relação possível, sempre com vistas ao melhor interesse da Eldorado”.

(Do Valor Econômico)

Eldorado Brasil. Foto: Divulgação.

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