Crescimento exponencial dos casos no Centro-Oeste mostra que clima quente e seco não teria sido impeditivo para expansão da doença; Geraldo Resende também disse que pandemia deve acelerar processo de regionalização da saúde no Estado

Durante a live que o Governo do Estado realiza, diariamente, desde o início da pandemia, o Secretário de Saúde, Geraldo Resende, mostrou preocupação, nesta segunda-feira, 11, com a escalada dos casos em Mato Grosso do Sul e em todo o Centro-Oeste.

“Estamos observando com apreensão um crescimento grande nas cidades da região centro-oeste onde alegavam que o clima seria nosso aliado. Mas o vírus não deu bola nenhuma para o clima. Disse um ‘não’ e penetrou em todos os estados das regiões norte e centro-oeste”, afirmou.

Os Estados limítrofes com o Mato Grosso do Sul tem apresentados números altos de infecção: Mato Grosso, com 519, Goiás, com 1093, Paraná, com 1835 e São Paulo, epicentro da doença no país, com 45.444 mostram que MS é uma “ilha” – e o estado com o menor número de casos confirmados no país.

Mas essa não é uma situação cômoda, já que pode mudar a qualquer momento. O número diário de casos têm subido de maneira exponencial nos últimos dias no Estado, conforme demonstra a curva apresentada no boletim de hoje. Apenas nas últimas 24h foram acrescentados mais 23 novos casos. Já são 385 casos confirmados no Mato Grosso do Sul.

Expansão nas cidades pequenas

De acordo com Resende, os números mostram que o vírus está se interiorizando no estado, atingindo, agora, cidades pequenas.

Apenas Guia Lopes da Laguna computou oito novos casos apenas hoje, chegando ao total de 34. Com uma população de pouco mais de 10 mil habitantes, é a cidade com a maior incidência da doença no Estado: 343 casos para casa 100 mil habitantes.

Em segundo lugar em incidência vem Brasilândia, que soma 13 casos e chega à taxa de incidência de 109 casos para cada 100 mil habitantes. Logo depois vem Sonora (67/100 mil). Três Lagoas aparece em quarto lugar, com 56 casos para cada 100 mil habitantes.

Em entrevista exclusiva ao jornalista Ricardo Ojeda, o prefeito de Brasilândia, dr. Antonio Thiago, afirmou que, em razão da baixa adesão da população ao isolamento social, avalia a implantação de lockdown no município, com o apoio do Exército, se for necessário.

Oportunidade de regionalização

De acordo com o Secretário, a preocupação do avanço de casos em municípios pequenos é justamente porque eles não têm serviços de alta complexidade, como UTI. Então, moradores dessas regiões terão que ser direcionados às sedes de micro ou macro região.

Apesar da urgência do atendimento agora, Resende enxerga que isso pode se transformar em uma oportunidade para avançar na regionalização da saúde no Estado – plano defendido pelo Governo há anos. “A pandemia será importante para, depois, se construir serviços de alta complexidade nessas regiões, que é uma objetivo que o Governo persegue”, afirmou.

Mapa cada vez mais “colorido” mostra a interiorização da doença.

Mais drive thru

Também foi anunciado durante a live que hoje começa o Drive Thru em Corumbá. Dessa maneira, todas as quatro macro regiões de saúde – Campo Grande, Dourados, Três Lagoss e Corumbá – terão o serviço de testes.

“As armas que nós temos são o isolamento social aliado ao uso de máscara e regras de higiene. O achatamento da curva que conseguimos conquistar nos tem possibilitado a construção da rede de apoio”, disse Geraldo.

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