10/10/2017 09h13

A creche Gente Inocente, em Janaúba, vai ganhar o nome de Heley de Abreu, a professora que sacrificou a própria vida para salvar boa parte das crianças

Redação

A creche Gente Inocente, em Janaúba, onde um vigia ateou fogo em crianças e funcionários na sexta-feira, vai ganhar um novo nome quando for reaberta. A Prefeitura da cidade do Norte de Minas Gerais vai homenagear uma das vítimas do incêndio e mudará o nome da unidade para Heley de Abreu, a professora que sacrificou a própria vida para salvar boa parte das crianças e evitar que Damião Soares dos Santos, de 50 anos, fizesse mais vítimas.

Segundo testemunhas, Heley também entrou em confronto com Damião quando ele tentava ampliar ainda mais o incêndio na creche. A professora tinha 43 anos. Teve cerca de 90% do corpo atingido pelas chamas e não resistiu aos ferimentos.

Ao todo, a tragédia de Janaúba fez 57 vítimas. Durante o fim de semana, 23 crianças e adultos tiveram alta hospitalar. Elas estavam internadas porque inalaram fumaça do incêndio e não chegaram a ter queimaduras graves. Nesta segunda, mais uma criança recebeu alta: o garoto Lucas Gabriel Martins, de 4 anos, que estava internado na Santa Casa de Montes Claros.

Na quinta-feira, o vigia Damião Soares dos Santos, de 50 anos, que trabalhava no local, entrou na creche com álcool, jogou o produto nas crianças e em si próprio e ateou fogo. O ataque causou a morte de nove crianças, da professora Helley de Abreu Batista, de 43 anos, e do próprio vigia.

Segundo informações da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, no horário havia 75 crianças e 17 funcionários na escola. Os feridos no incêndio foram socorridos a hospitais de Janaúba, Montes Claros e Belo horizonte.

Mãe de um casal adolescente e um bebê de um ano, a professora mineira Heley Abreu escolheu a Pedagogia como profissão por amar crianças. Assim descreve o professor e amigo de Heley, uma das vítimas da tragédia de Janaúba, no Norte de Minas Gerais, onde um segurança ateou fogo e matou ao menos quatro alunos, na manhã desta quinta-feira.

— Trabalhamos há anos juntos e dei aula para os filhos dela. Uma excelente professora e ótima pessoa. Não é porque está nessa situação que falo isso, mas todos tinham um carinho enorme por ela — relata o professor de Educação Física Izael Junior.

Segundo o profissional, Heley carrega marcas de outra tragédia pessoal: há mais de dez anos, lembra ele, a professora perdeu um fillho afogado na piscina de um clube. O menino tinha quatro anos.

(*) Extra

Helley Abreu Batista, professora da creche incendiada em Janaúba, em Minas Gerais Foto: Reprodução

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