17/03/2016 11h24 – Atualizado em 17/03/2016 11h24

O comércio do município também tem queda de quase 50% no movimento em relação ao mesmo período do ano passado

Ricardo Ojeda e Daniela Silis

A feira livre dessa quarta-feira em Três Lagoas refletiu a situação econômica do país. Uma foto enviada pelo jornalista Sidnei Ramos para a redação do Perfil News às 19h21 de ontem, mostrava a feira, que já é tradição no município, sem movimento. Com a instabilidade política do país, que acarreta na crise econômica, a população brasileira não tem mesmo como e nem onde gastar.

A feira livre é tradição no município de Três Lagoas e movimenta a microeconomia da cidade. Na Avenida Rosário Congro, onde recebe as barraquinhas e expositores aos sábados, segundas e quartas-feiras, é onde o produtor rural expõe seus produtos para a venda, além do artesanato, bordado e comércio de brinquedos.

RETRATO DA CRISE

O movimento de ontem foi o retrato da crise que assola não só a Três Lagoas, mas também a todos os municípios brasileiros. E a cada dia que passa, enquanto existir esse clima de instabilidade política, o país não conseguirá uma estabilidade econômica, aumentando cada vez mais o índice de desempregos.

Com os altos valores de impostos e o índice de desemprego atual, que, segundo pesquisa divulgada nessa terça-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), fechou ano de 2015 com taxa média de 8,5%, a maior desde 2012, em que o país atingiu 7,4% de desempregados, a população está indo menos às compras e economizando ao máximo.

NO COMÉRCIO

Não é apenas as feiras livres que os três-lagoenses estão evitando, no comércio do município a crise também fez com que o movimento caísse quase pela metade em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo Sueide Silva Torres, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Três Lagoas (Sindivarejo), a expectativa para a venda na Páscoa é baixa.

“O valor dos gastos por pessoa por ovos de chocolate, que no ano passado foi em torno de R$ 120, esse ano está em R$ 65. Então houve uma queda bem substancial em relação aos gastos na Páscoa. Mas isso tudo reflete o baixo poder aquisitivo da população. E é complicado porque enquanto a situação econômica do país persistir, nós teremos esse quadro, porque o desemprego está grande e as pessoas estão tentando gastar o mínimo possível”, afirmou o sindicalista.

O presidente do Sindivarejo ainda diz que a crise reflete em todos os setores do comércio. “Nós sentimos que deu uma queda e estamos trabalhando para tentar superar essa dificuldade que estamos atravessando através de contato com o governo para ver se diminui os impostos e ver se conseguimos um fôlego no empresário para que ele mantenha a sua empresa e consiga atravessar essa fase negativa que nós estamos”.

CRISE POLÍTICA

A instabilidade política, advinda da má administração da presidente Dilma Rousseff, que está a um ano de três meses à frente do governo desde que tomou posse, acarreta na crise econômica em que o país está atravessando. Um exemplo da má administração da presidente é a renúncia do ministro da saúde a mando da petista em plena época de ebulição do Zika Vírus, tudo para votar no deputado federal, Leonardo Piciani, para líder do PMDB, que apoia o governo federal.

Essa crise política repercute em todos os setores da sociedade, inclusive na economia que é o alicerce do país. Com essa instabilidade e o baixo poder aquisitivo da população, o número de roubos, violência e prostituição só tende aumentar.

A população também está retirando das reservas para pagar contas no comércio. “Você vê que o pessoal já está pegando as reservas, porque, na realidade, as pessoas pegam as moedas e vão guardando para colocar na caderneta de poupança. Mas o que estamos vendo é o inverso, elas estão pegando as moedas e as notas de dois reais para fazerem compras e pagar compromissos no comércio. Estão tirando essas moedas dos cofres para trazer para o movimento, para o comércio”, concluiu Sueide Silva Torres.

A saída para a economia do Brasil é a estabilidade política. Até que isso aconteça, a crise no país só tende a piorar.

O movimento de ontem foi o retrato da crise que assola não só a Três Lagoas, mas também a todos os municípios brasileiros (Foto: Sidnei Ramos)

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