30/08/2019 14h43

A formatura foi realizada, nesta quinta-feira (29), e contou com a participação de 14 mulheres, entre elas, em situação de violência doméstica, em cárcere e egressas do sistema prisional

Redação

Com o objetivo de possibilitar qualificação profissional e geração de renda, mulheres em privação de liberdade custodiadas pela Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) concluíram o Curso Básico de Confeitaria – Mais que Doce, oferecido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac Turismo e Gastronomia), na capital.

A formatura foi realizada, nesta quinta-feira (29.8), e contou com a participação de 14 mulheres, entre elas, em situação de violência doméstica, em cárcere e egressas do sistema prisional. Com carga horária de 66 horas/aula, o curso aconteceu de 05 a 28 de agosto e envolveu conteúdo prático de confeitaria, técnicas de comunicação e expressão, além de aulas sobre aspectos jurídicos e psicossociais da violência doméstica.

“Tudo foi muito novo e mágico para mim”, revelou a custodiada Roseliene Paim Aguilera, que, aos 46 anos, teve o primeiro contato com a arte da confeitaria. Com a técnica adquirida, seu projeto de vida agora é abrir seu próprio negócio. “Gostei muito de tudo, eu não tinha noção de nada, vou usar os conhecimentos com certeza. O mais interessante é que na hora de elaborar uma receita tudo precisa ser cuidadosamente pesado, cada grama faz diferença”, comentou a futura empreendedora.

A iniciativa aconteceu através da parceria entre o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, por meio da Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar; o Ministério Público do Trabalho de MS; o Senac e contou com o apoio da Agepen, por meio da Diretoria de Assistência Penitenciária. A proposta agora é abrir espaços para estágio das formandas no próprio Senac e em empresas parceiras.

A coordenadora estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar, juíza Jacqueline Machado, agradeceu o trabalho integrado de todos os envolvidos para concluir mais uma ação que visa dar novas oportunidades a mulheres. “O importante para nós é oferecer uma oportunidade, porque é o que possibilita uma mudança na vida das pessoas. Achamos por bem incluir as mulheres em cárcere, porque precisam de uma oportunidade também, assim como as mulheres em situação de violência”, ressaltou, destacando que não se pode mudar o passado, mas é possível construir um novo futuro.

Empreendendo na área de gastronomia há três anos, Márcia Moraes dos Santos, atualmente está usando tornozeleira eletrônica e agora pretende implementar em seu negócio os doces que aprendeu. “O que mais me chamou atenção no curso foi sobre a fabricação dos bolos, porque eu não tinha ideia de como montar uma massa e que é possível fazer tantas coisas. Agora posso montar um kit festa, com salgados, doces e bolo; então foi algo complementar na minha vida”, garantiu.

Em livramento condicional, Rosemeire de Oliveira Florentina, passou três décadas cumprindo pena entre idas e vindas. “Em todo esse tempo, pude fazer diversos cursos oportunizados dentro das unidades penais, desde jardinagem, costura, manicure, crochê, bordados e agora confeitaria. Espero melhorar, crescer e levar a frente tudo o que aprendi, tenho que praticar. Já estou atuando na área, faço salgados e já incrementei com as trufas de chocolate, através das técnicas que aprendi durante esse curso, estou realmente muito feliz”, agradeceu, afirmando que se profissionalizou em uma área que já vem de família, já que sua mãe é salgadeira há muitos anos.

Conforme o presidente da Fecomércio, Edison Ferreira de Araújo, a missão do Senac é educar para o trabalho nas atividades de comércio de bens, serviços e turismo, formando profissionais que o mercado necessita. “Hoje veremos que é possível irmos muito além, podemos oportunizar a construção de sonhos e de novas perspectivas de vida. E neste importante projeto, a transformação se dará por meio da área de confeitaria. Sinto-me honrado de poder entregar o certificado a essas mulheres, que com as mãos poderão construir, com delicadeza e harmonia, bolos e confeitos e, assim, reconstruir suas vidas”, afirmou, parabenizando o empenho de todos os profissionais envolvidos na parceria.

Cumprindo pena no regime semiaberto há quatro meses, Gabriela Evangelista Vicentini, 23 anos, atuava como coordenadora em uma cozinha industrial e ressaltou que a capacitação garantiu um requisito muito importante para regulamentação de documentação, já que também abrangeu a área de manipulação de alimentos.

“Tenho certeza que vou utilizar tudo que aprendi, porque pretendo me profissionalizar nessa área gastronômica, pois é o que gosto de fazer, pretendo retornar para o meu antigo trabalho e esse curso vai me ajudar muito para elaborar doces para os eventos”, disse a reeducanda.

Além da parte teórica, as participantes realizaram as aulas práticas e aprenderam a confeccionar muitos itens da arte da confeitaria, como cupcakes, alfajores, trufas, bolos recheados, casadinhos, cookies, entre outros.

Foto/Assessoria

Comentários