16/11/2006 08h58 – Atualizado em 16/11/2006 08h58

Sul News

O ônibus que teve o pneu estourado no quilômetro da rodovia MS-156 (Tacuru – Amambai), na noite de 10 de maio de 2005, provocando a morte de nove pessoas e ferimentos em outras 17, foi comprado pela Prefeitura de Japorã após a notificação do acidente. Há suspeita de licitação fraudulenta. A denúncia é do presidente da Câmara Municipal de Japorã – Paulo César Franjotti (PMDB), ao Ministério Público Estadual, no último dia sete. Uma farta documentação foi entregue pelo vereador à promotora de Justiça da Comarca de Mundo Novo – Bianca Karina Barros. No dia do acidente o veículo estava pintado com faixa reflexiva indicando transporte escolar e estava cedido para levar familiares e amigos na entrega de boinas pretas (formatura de uma turma do exército brasileiro). Franjotti disse que o objetivo é responsabilizar criminalmente o prefeito Rubens Freire Marinho (PT), “por atropelar as leis”. Segundo ele, “responsabilizar somente o município, é o mesmo que oferecer a oportunidade de protelar o trâmite da ação, deixando as conseqüências dos atos para futuras administrações”.

 USO INDEVIDO

O ônibus Mercedes Benz, ano 1990, placas AAG-2612, Rio Bonito do Iguaçu-PR, que na noite do acidente estava sendo dirigido pelo motorista da Prefeitura de Japorã, Altair Reis de Souza, não deveria estar trafegando naquela noite, segundo o presidente da Câmara Municipal, Paulo César Franjotti. A compra havia sido feita “sem licitação ou com licitação irregular e viciada”. De acordo com os documentos entregues para a Promotoria de Justiça da Comarca de Mundo Novo, a licitação através de carta convite teve a homologação no dia 11, dando como vencedora a firma Silva & Risso. No dia 12 foi feito o emprenho da nota e no dia 19, liberado o pagamento de R$ 32 mil. De acordo com Franjotti, o ônibus foi adquirido e colocado em uso, com pneus recauchutados, e um deles estourou, provocando o acidente, com toque lateral no caminhão Scania T-143, placas AED-3592, Mundo Novo-MS, conduzido por Mário Sérgio Julião, carregado com tiras de madeira, que se desprenderam da carroceria e invadiram o transporte coletivo, provocando o acidente com nove mortes e 17 feridos. “Como é que este ônibus poderia estar sendo utilizado, com faixa indicativa de transporte escolar, sem sequer ter passado pela vistoria do Detran?”. Indaga.

OUTRO LADO

Em entrevista, via telefone celular, ontem, por volta de 13h40, o prefeito Rubens Freire Marinho disse que não tinha conhecimento dos fatos e que para ele “isto é especulação”. E em seguida disse – “o que eu sei é que compramos um ônibus à prazo” e comentou que precisava se inteirar dos fatos para poder comentar melhor o assunto.

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