16/11/2006 08h27 – Atualizado em 16/11/2006 08h27

Agência Estado

Com encontro marcado em Florianópolis para amanhã, os governadores do PMDB estão ainda longe de um consenso, quanto mais de uma posição unitária em relação ao governo Luiz Inácio Lula da Silva. Com as divergências acirradas, até o comparecimento de todos os governadores do partido é improvável. Sérgio Cabral, eleito para governar o Rio, não deve ir. A reunião é organizada pelo governador reeleito de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira, e pelo presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP). Ambos são expoentes do grupo de oposição a Lula no partido e, assim como o governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, apoiaram o tucano Geraldo Alckmin na disputa presidencial. Na terça-feira, Temer convocou entrevista coletiva para reclamar da ‘falta de institucionalidade’ na relação entre partido e governo. Queixou-se de que, embora seja o presidente da legenda, até agora os interlocutores do partido tenham sido os senadores José Sarney (AP) e Renan Calheiros (AL), e o deputado Jader Barbalho (PA). O episódio provocou reações na ala governista. Até ontem alguns governadores reavaliavam sua disposição de ir à reunião em Florianópolis. Alguns receberam telefonema de Renan, que alertou sobre o ‘simbolismo’ de fazer esse primeiro encontro dos governadores em Santa Catarina, onde Luiz Henrique faz oposição a Lula. Da ala lulista do PMDB, o governador reeleito do Amazonas, Eduardo Braga, prega a união do partido em torno de um projeto nacional e, claro, a aliança com o presidente da República. Mas vê dificuldade para um consenso imediato com seus colegas. “É a primeira reunião do colégio de governadores de uma seqüência que terá de haver”, ponderou. Demandas Já o governador eleito de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli, se autodefine do ‘time anti-PT’, e aliança com Lula, para ele, é quase palavrão. Puccinelli condiciona qualquer acordo ao atendimento das demandas dos Estados, como a renegociação das dívidas com a União. Uma aliança com o governo Lula nem sequer é mencionada por Puccinelli. “Eu estou naquele grupo em que cargos não demovem para votar com Lula como não me demoveram para votar com Fernando Henrique”, discursou o futuro governador. “O PMDB não precisa se alinhar, tem que ter projeto. Não pode ser antidiálogo se o presidente abriu essa possibilidade”, retrucou o governador do Amazonas. “Neste momento tem de pensar no Brasil. O PMDB tem de ter responsabilidade, porque tem a maior bancada na Câmara e o maior número de governadores”, ressaltou o governador amazonense. “Todos nós estamos indo para essa reunião acreditando no melhor”, afirmou ele, cuja presença também é dúvida. Também fazem parte da lista de governadores do PMDB: Paulo Hartung (ES), Marcelo Miranda (TO) e Roberto Requião (PR).

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