19/04/2013 08h38 – Atualizado em 19/04/2013 08h38

Detento diz que paga R$ 600 para conseguir celular em presídio de MS

Da Redação

Entre R$ 600 e R$ 1 mil. Foram esses os valores que dois presidiários do Estabelecimento Penal de Segurança Máxima, em Campo Grande, informaram ter pagado para adquirir telefones celulares e, por meio dos aparelhos, coordenar um grupo que segundo a polícia roubou quatro caminhões. As afirmações foram feitas durante entrevista na Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Veículos (Defurv) na quinta-feira (18).

A direção da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) afirmou que desconhecia a informação acerca do comércio de celulares no presídio e que vai apurar o caso.

Questionado na delegacia se era fácil conseguir celular no presídio, Samuel Rosa de Azevedo, 20 anos, conhecido como “Samurai”, diz que não. Sobre como ele consegue dinheiro, respondeu. “Trabalhando, às vezes, droga rola né. Aos poucos a gente vai se virando (sic)”.

Em outro momento da entrevista na Defurv, ele confessa que costumava fazer ligações de dentro Máxima e nunca foi flagrado com o aparelho. Sobre o acesso ao eletrônico, Samuel diz que não são todos detentos que conseguem comprar, “só os que têm condições”.

O segundo presidiário, José Roberto Santos Júnior, 21 anos, conhecido como “Magrelo”, revelou que também pagava para conseguir o celular, no entanto, desembolsou mais: R$ 1 mil. A titular da Defurv, Maria de Lourdes Cano, disse que as investigações, que começaram há dois meses, já identificaram outros presidiários no esquema.

Os detentos apresentados pela polícia, juntamente com outros três homens, tiveram prisão preventiva decretada pela Justiça. Eles devem ser removidos da Máxima e transferidos para outra unidade prisional, onde devem perder qualquer benefício que obtiveram durante o cumprimento da pena, além de serem isolados e responderem processo disciplinar interno.

PROBLEMA

Segundo informações da Agepen, desde o início do ano, foram apreendidos 46 celulares no Estabelecimento Penal de Segurança Máxima, somando os que foram encontrados nas operações pente fino e com visitantes que tentaram adentrar no local com o eletrônico.

Para o diretor-presidente da agência, Deusdete Oliveira, a informação dos preços revelados pelos detentos no pagamento dos aparelhos demonstra que as abordagens na unidade têm surtido efeito e dificultado a compra.

Contudo, afirmou que “é muito difícil” impedir totalmente a entrada dos celulares por conta do alto número de visitantes e da região do presídio, no bairro Jardim Noroeste, que segundo ele é bastante populosa. Muitas vezes os eletrônicos são arremessados por cima do muro.

Deusdete fala ainda que a única saída para acabar com o problema é bloquear o sinal da telefonia móvel ao redor do presídio. Existe uma torre de telefonia móvel na região que está desativada, porém, conforme o diretor-presidente, o sinal não foi bloqueado. Segundo a agência, um estudo de viabilidade sobre bloqueadores de sinal está em fase de instrução para a elaboração de edital e abertura de licitação.

CELULAR E FACEBOOK

Em novembro de 2012, dois detentos em Mato Grosso do Sul acabaram isolados após ser constatado pela Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) que eles atualizavam diariamente seus perfis, pelo celular, na rede social Facebook.

Em uma das mensagens, postada em 25 de outubro, um deles relata uma suposta festa que teria acontecido dentro da unidade com o consumo de bebidas.

(*) Com informações de G1 MS

Detento explica compra de celular em presídio
em Campo Grande. (Foto: Fabiano Arruda/G1 MS)

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