18/04/2013 15h56 – Atualizado em 18/04/2013 15h56

Detentos da Máxima comandaram quatro roubos de caminhões em MS

Dois presos serão transferidos após descoberta de envolvimento em roubo. Suspeitos contratavam caminhoneiros e rendiam vítimas em cativeiro.

Da Redação

Quatro roubos de caminhões, entre os meses de fevereiro e março em Campo Grande, foram planejados por detentos do presídio de Segurança Máxima. Cinco homens foram apresentados nesta quinta-feira (18), na Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Veículos (Defurv), como suspeitos pelos crimes, sendo dois presidiários. Outros detentos, suspeitos de participação nos crimes, já foram identificados.

As investigações sobre o caso começaram há dois meses. A delegada Maria de Lourdes Cano disse que a prisão preventiva dos cinco já foi expedida pela Justiça. No caso dos presidiários, eles foram removidos da Máxima e serão transferidos para outra unidade prisional.

Em todos os casos, o grupo agia da mesma forma. Um deles entrava em contato com a empresa dos caminhões para contratar o serviço de frete. No encontro, o condutor era rendido e mantido em cativeiro, enquanto o veículo era levado para o Paraguai. Assim que o presidiário tinha a confirmação de que o caminhão estava no país vizinho, as vítimas eram libertadas.

De acordo com Maria de Lourdes, dos quatro veículos roubados, apenas um não foi recuperado e os outros três já foram devolvidos aos proprietários. Os três responsáveis pelos roubos foram presos há cerca de uma semana na região do bairro Caiobá. Um deles é irmão de um dos presidiários envolvidos no esquema. Três revólveres, dois de calibre 32 e um 38, foram apreendidos.

RENTÁVEL

A delegada disse que os homens confessaram participação nos roubos e detalharam as funções nos crimes, argumentando que escolhiam a prática por ser rentável na facilidade de revender os veículos. “No caso de um caminhão guindaste que foi roubado, estimado em R$ 1 milhão, eles venderiam por R$ 100 mil”, disse.

A delegada disse que as investigações sobre os roubos continuam e acredita que os suspeitos tenham participação em outros crimes. “O número de caminhões roubados teve aumento nos últimos meses, mas reduziu a zero nos últimos dias após as prisões”.

Os suspeitos responderão por roubo qualificado pelo concurso de pessoas, uso de arma de fogo e formação de quadrilha.

MEDO

Um caminhoneiro de 58 anos e o dono da empresa, de 44, prestaram depoimento à Polícia Civil. O motorista, que ficou sob a mira dos bandidos por cerca de cinco horas no dia 15 de fevereiro, falou dos momentos de terror. “É algo que eu não desejo para ninguém”, disse.

Ele afirmou que, à época, foi acionado por um homem do grupo que se identificou como “doutor Nelson”, que é um dos presidiários apresentados. “Não desconfiei de nada”.

O patrão do caminhoneiro, de 44 anos, disse que se desfez da empresa de transporte e vendeu os dois caminhões que tinha após o roubo. “É a pior sensação, a de impotência, vou fazer outra coisa que tenha menos risco”.

A delegada Maria de Lourdes recomenda que proprietários de empresa de transporte redobrem o cuidado ao serem contratados. Segundo ela, o ideal é checar quem está contratando o serviço e desconfiar se o pedido é para ser executado de forma rápida.

(*) Com informações de G1 MS

Polícia apreendeu três revólveres utilizados nos roubos. (Foto: Fabiano Arruda/G1 MS)

Comentários