07/03/2019 09h52

Família não desconfiava dos crimes do rapaz, a quem julgava como “trabalhador”; adolescente passará por avaliação psicológica

Gisele Berto

O adolescente que confessou ter estuprado uma mulher e atentado contra pelo menos mais 10 vítimas não tinha outras passagens pela polícia e era tido pela família como “trabalhador”.

A informação foi passada na manhã de hoje, 7, pelo Comandante do 2º BPM, Major Ênio de Souza.

A polícia vinha trabalhando em informações para a captura do suspeito há vários dias. Ontem, 6, entretanto, um golpe de sorte levou os policiais à apreensão do menor.

Durante o atendimento a uma ocorrência de tentativa de homicídio, os policiais perceberam, na casa da frente, uma moto com as mesmas características da usada pelo abusador. Fizeram a abordagem do rapaz, de 17 anos, e ele confessou os crimes.

“É um crime repulsivo e estávamos empenhados em fazer a prisão do autor. Felizmente, devido ao treinamento dos policiais, conseguimos reconhecer a moto em uma outra ocorrência e fizemos o recolhimento do menor”, disse o Major.

Segundo o Comandante do BPM, a família do rapaz desconhecia suas atividades. “Eles ficaram surpresos, disseram que era um trabalhador e que não sabiam desse outro lado dele”, afirmou.

O menor foi apreendido e vai passar por avaliação psicológica. Caso seja constatado que ele sofre de distúrbio mental será encaminhado para tratamento psiquiátrico.

FROUXIDÃO DA LEI

Ainda que fique comprovado que o jovem, que completará 18 anos em agosto, agiu de forma deliberada e não tenha problemas psiquiátricos, a lei determina que ele pode ficar detido apenas até completar 21 anos. Ou seja, mesmo com a confissão de que cometeu o estupro e os abusos, ele ficará detido por, no máximo, três anos.

No caso de comprovação de problemas mentais, ele pode ficar apreendido por mais tempo, para tratamento.

“A legislação acaba ajudando a marginalidade. Não é culpa do juiz, do delegado. Mas, às vezes, a gente prende a mesma pessoa duas, três, quatro vezes, e ele sai”, disse o Major.

OUTRAS VÍTIMAS

A polícia ainda trabalha para identificar outras vítimas do abusador. Por isso, mulheres que tenham sido sexualmente importunadas ou ameaçadas devem procurar a 2ª Delegacia de Polícia para fazer o reconhecimento e registrar queixa.

Moto usada nos ataques

Menor confessou os crimes. Foto: Divulgação

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