07/04/2014 16h45 – Atualizado em 07/04/2014 16h45

Profissional precisa ser valorizado para assim, contribuir com mais força para o fortalecimento da democracia

Larissa Lima

Em tempos de crise, eles estiveram lá. Nações puderam acompanhar, ao vivo, a Guerra do Golfo, transmitida na década de 1990 pela CNN. Mostraram o poder da união de uma sociedade, que levou ao impeachment de Collor. Estamparam na tela de espectadores do mundo inteiro, os horrores dos atentados às Torres Gêmeas, em 11 de setembro de 2001.

Mas não é só a tragédia que serve de alimento. Diante de grandes conquistas do esporte; belezas de lugares espalhados pelo planeta; avanços e progressos na ciência e tecnologia ou relatando histórias de superação, eles estiveram lá.

E para lembrar a presença deles, que mais do que profissionais, são agentes de transformação social, no dia 7 de abril comemora-se o Dia Nacional do Jornalista. A data foi escolhida em homenagem a João Batista Líbero Badaró, médico e jornalista assassinado em 1830 por inimigos políticos. A morte do jornalista gerou a manifestação popular que levou a abdicação de D. Pedro I, no dia 7 de abril de 1831. A mesma data foi escolhida para marcar, em 1908, a fundação da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), quer em 1931 instituiu o Dia do Jornalista.

Considerado o Quarto Poder, o jornalismo tem a capacidade de denunciar, promover, legitimar, questionar e formar opinião. A informação, matéria-prima do jornalista, contribui para o fortalecimento de importantes pilares de uma sociedade, como educação, cultura e a construção e fortalecimento da democracia.

REGULAMENTAÇÃO

Apesar de toda a relevância, o jornalista é ainda um profissional pouco valorizado. Prova disso é a decisão do Supremo Tribunal Federal, em vigor desde outubro de 2001, que julgou como inconstitucional o decreto-lei nº 972 de outubro de 1969, baixado pela Junta Militar, que regulamentou e passou a exigir o diploma para o exercício da profissão. Segundo o STF, o decreto ia contra liberdade de expressão, garantida pela Constituição de 88.

A medida deprecia o jornalismo, que para ser exercido com ética e profissionalismo, requer o domínio de técnicas. Com a não obrigatoriedade do diploma e com a explosão dos blogs e redes sociais, auto intitular-se jornalista é cada dia mais fácil e mais comum. E assim se propaga o sensacionalismo, a falta de ética e informações baseadas em achismos.

DESRESPEITO

De acordo com a organização Repórteres sem Fronteiras, sediada em Paris, o Brasil ocupa a 111° (de um total de 180 países) no relatório anual que estabelece o ranking de liberdade de imprensa no mundo. A organização calcula que desde junho de 2013, 114 jornalistas foram feridos em protestos, nos quais cinco foram mortos.

Entre eles, o cinegrafista Santiago Andrade, da TV Bandeirantes, morto no dia 10 de fevereiro, após ser atingido por um rojão durante a cobertura do confronto entre policiais e manifestantes no Rio de Janeiro – RJ.

Três Lagoas também foi cenário de uma triste cena contra profissionais. O jornalista Adonildo Santos foi vítima de uma agressão violenta durante o jogo entre Misto de Três Lagoas e Naviraiense, no ano passado. Hoje ele se recupera do episódio, porém, com sequelas que vão marcar sua vida.

Valorizar os profissionais do jornalismo é contribuir para uma sociedade mais justa, com menos corrupção, criminalidade e diferenças sociais. É defender uma classe que diariamente, defende os interesses da sociedade, apontando as áreas que precisam de melhorias e enaltecendo as boas iniciativas da população e do governo.

JORNALISMO EM TRÊS LAGOAS

Em Três Lagoas, o Perfil News, além de exercer o jornalismo com seriedade, incentiva a classe por meio do Encontro de Jornalistas de Mato Grosso do Sul, realizado anualmente. Em edições anteriores, jornalistas como Hermano Henning, Salete Lemos, Maurício Kubrusly, Domingos Meirelles, Caco Barcelos e Jorge Kajuru, além dos senadores Mão Santa, Heloisa Helena, Ramez Tebet e Marina Silva já participaram do evento.

“O jornalismo ajuda a modificar a sociedade de diversas formas. Se não fossem as denúncias feitas por meio de notícias e matérias especiais, muitos casos de abuso político e econômico continuariam acontecendo”, ressaltou Ricardo Ojeda, jornalista e diretor do Perfil News.

EXPECTATIVA

Ainda este ano, o Perfil News vai realizar mais um Encontro de Jornalistas, com data e convidado a ser divulgado. O evento será gratuito, aberto a profissionais, estudantes e interessados.

Roberto Cabrini durante o Sétimo Encontro de Jornalistas de Mato Grosso do Sul, em Três Lagoas

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