02/10/2017 15h59

Eliane Sacramento Rocha falou que a medida tem suas vantagens, mas acredita que o sistema não deve ser implementado de uma hora para outra.

Flávio Veras

A diretora adjunta da Escola Estadual Afonso Pena de Três Lagoas, Eliane Sacramento Rocha, concedeu uma entrevista exclusiva ao Perfil News, na manhã desta segunda-feira (2), sobre a implementação da Escola de Autoria, ou seja, um sistema integral para o Ensino Médio. A medida provocou uma reação contrária dos estudantes que fizeram um protesto na última sexta-feira (29). Durante a conversa, a diretora falou que o sistema tem seus pontos positivos, no entanto, ponderou alegando que, no caso do Afonso Pena, possa ser que seja prejudicial aos alunos, caso entre em vigor de uma hora para outra.

De acordo com a diretora, existiram duas reuniões que foram organizadas pela Secretaria Estadual de Educação (SED) até agora. Nelas, a comunidade teve ciência sobre o projeto para, então, aprová-lo ou não. Uma delas aconteceu na última sexta, dia do protesto.

“Ao contrário do que muita gente vem difundindo, nos encontros foram abordados apenas como serão os horários; aumento na carga horária de algumas disciplinas, bem como adicional de 15% no salário dos professores. Porém, em nenhum momento a Secretaria nos falou que o sistema tinha que ser implantado, muito pelo contrário, em todos os encontros ficou garantido que ele será oferecido apenas se a comunidade for favorável, ou seja, precisa de um consenso entre professores, pais e alunos, explicou.

CONSENSO

Durante a última reunião, A SED deixou claro que tem o interesse em usar o método educacional da unidade escolar. No entanto, de acordo com Rocha, a escola não teria estrutura física e nem humana para atender a esse desejo da pasta. “Nós temos apenas seis turmas para o Ensino Médio com 173 alunos. Existem escolas que nós sabemos que têm este interesse e, além disso, possuem um número de alunos maior que o nosso colégio. Acredito que temos outras prioridades a serem resolvidas, como banheiros que foram reformados, mas que estão interditados devido o teto estar comprometido. Hoje temos apenas dois sanitários em funcionamento”, argumentou.

Outro temor da diretora, compartilhado pelos estudantes, é que a escola tem muitos alunos da área rural, que fazem curso técnico, cursinho, modalidades esportivas e até alguns que trabalham. Portanto, caso a Escola de Autoria entre em vigor, eles seriam obrigados a trocar de colégio.

“Por isso, nós acreditamos que essa mudança deve ser feita no mínimo a médio prazo, pois os alunos que tiverem interesse já sabem que o colégio oferece este tipo de ensino. Outro ponto relevante é que, quando a diretora Joana D’Arca e eu assumimos, a unidade tinha apenas 384 estudantes e conseguimos praticamente triplicar esse montante para 1080. Então, todo o nosso esforço pode ter sido em vão”, lamentou.

Ainda conforme informações da diretora adjunta, durante a reunião, a maioria dos presentes não aprovou o novo sistema. “Após essa negativa, os alunos, pais e professores estão preparando três abaixo-assinados para saber a opinião da comunidade. Esses documentos serão encaminhados em formato de oficio para a Secretaria informando o resultado”, finalizou.

ESCOLA DE AUTORIA

Segundo o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, o Projeto de Lei 222/2016 tem como objetivo ampliar a jornada escolar para a formação integral de maneira a executar a Política Estadual de Educação Básica.

O Programa adotado no Estado segue modelo implementado em Pernambuco, que vigora desde 2002 e tem por objetivo reduzir o índice de abandono e aumentar a aprovação dos estudantes no ensino médio da rede pública estadual. Mais do que ampliar para nove horas o tempo de permanência dos jovens na escola, a proposta promove a formação para a vida, buscando ampliar as referências do estudante com relação a valores e princípios e desenvolve um conjunto pleno de competências cognitivas.

Na proposta, a organização curricular do ensino médio contempla a Base Nacional Comum e uma parte diversificada, garantindo a aprendizagem e o desenvolvimento dos alunos.

OUTRO LADO

A reportagem tentou entrar em contato com a SED e a Coordenadoria Regional de Educação, porém não obteve resultado até o fechamento desta matéria.

De acordo com Rocha, existiram duas reuniões que foram organizadas pela Secretaria Estadual de Educação (SED) até agora (Foto: Flávio Veras / Perfil News)

Alunos organizaram um protesto contra a implementação do ensino integral na última sexta-feira (2). (Foto Flávio Veras / Perfil News)

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