01/03/2013 15h01 – Atualizado em 01/03/2013 15h01

Um eventual colapso das Santas casas e dos hospitais filantrópicos do país em função das dificuldades financeiras cada vez crescentes somente não ocorreu ainda porque o sistema filantrópico brasileiro está resistindo heroicamente

Da Redação

Um eventual colapso das Santas casas e dos hospitais filantrópicos do país em função das dificuldades financeiras cada vez crescentes somente não ocorreu ainda porque o sistema filantrópico brasileiro está resistindo heroicamente apesar do desmando dos governos ao longo dos tempos, disse ontem o presidente da Comissão de Seguridade Social, deputado Luiz Henrique Mandetta. O deputado acompanhou o esforço dos dirigentes das instituições em busca do reajuste no valor do repasse de cem procedimentos da tabela Sistema Único de Saúde (SUS), como forma de evitar o agravamento da crise.

Durante encontro da Frente Parlamentar em defesa das Santas Casas e entidades filantrópicas – que reuniu dirigentes de hospitais de todo o país, o parlamentar analisou o crescimento da dívida do setor – que saltou de R$1.8 bi em 2005, para R$ 11.2 bilhões em 2011, e deverá chegar em R$ 14 bilhões em 2013, de acordo com projeções de subcomissão formada no âmbito da Comissão de Seguridade Social e Família. Mandetta alertou para o preço que o País terá de pagar num futuro próximo, caso a situação continue se agravando. “Quando houver o grande colapso das Santas Casas, quando estas deixarem de atender, aí sim, nós vamos auditar o óbito, vamos auditar a dor e sofrimento, que já está acontecendo cronicamente”advertiu.

“É uma dívida que cresce R$ 2 bilhões a cada ano e fico pensando como deve ser dura a vida do banqueiro em emprestar dinheiro para um setor com uma dívida tão crescente” ironizou, ao apontar a ausência de riscos para os bancos nas operações de empréstimos. “Uma operação de risco zero, onde nem se precisa fazer análise de risco do hospital”, lembrou. O deputado campo-grandense criticou o que considera omissão do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ao não cobrar mais recursos para o setor. “Este orçamento é insuficiente e a vida das pessoas está correndo risco, enquanto a equipe econômica quer manter tudo como está com receio de levar pito da presidente da República”, considerou.

Sem recursos financeiros, os hospitais estão adiando procedimentos, apontou Mandetta. “Todos os dias, em todas as Santas Casas que fazem média e alta complexidade, pacientes estão na sala de cirurgia esperando leito da UTI. O SUS funciona porque está na mídia, porque no dia a dia está um colapso”. De acordo com o relatório da subcomissão, elaborado pelo deputado Antonio Brito (PT do b-BA), em 2011 as Santas Casas fecharam o ano com um déficit de R$ 5 bilhões: receberam do governo R$ 9 bilhões, mas tiveram gastos de R$ 14 bilhões. O levantamento também mostra que essas entidades são responsáveis por 45% de todas as internações feitas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), porém o Estado paga só R$ 65 para cada R$ 100 gastos em serviços ambulatoriais e hospitalares no SUS.

(*) Com informações de Assessoria de Comunicação

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