10/11/2006 10h10 – Atualizado em 10/11/2006 10h10

G1.com.br

O Conselho Federal de Medicina (CFM) aprovou na quinta-feira (9) resolução que permite que os médicos interrompam os tratamentos que prolongam a vida dos doentes quando eles estão em estado terminal e não têm chance de cura. A aprovação foi por unanimidade. Pelo texto, essa medida só pode ocorrer se for a vontade explícita do próprio doente ou de seus familiares. A prática é chamada de ortotanásia, palavra que costuma ser evitada pelos médicos. Eles temem que seja confundida com a eutanásia, embora sejam práticas diferentes. Segundo o conselho, a eutanásia é o procedimento que antecipa uma morte inevitável. Isso, pelas leis brasileiras, é homicídio. No caso da ortotanásia, agora regulamentada pelo CFM, o médico desliga os aparelhos e a morte ocorre naturalmente, sem indução. Dilema médico O que fazer com os pacientes em fase terminal sempre foi um dos maiores dilemas dos médicos. A prática, de maneira geral, tem sido manter o paciente vivo o maior tempo possível. Por causa disso, muitos doentes morrem internados em UTIs, ligados a aparelhos e afastados da família. “Estamos mostrando aos médicos que isso (a ortotanásia) não é uma infração ética nem uma derrota”, explica o cardiologista Roberto d’Ávila, diretor do CFM e um dos responsáveis pela elaboração do texto aprovado. “Os médicos são treinados para vencer a morte a qualquer custo. Mas eles têm de parar com essa futilidade, com essa obstinação terapêutica. Têm de parar de ser preocupar com a morte e começar a se preocupar com o paciente, para que ele tenha uma morte sem dor, com sedação se for necessário, com conforto psíquico e espiritual. Os médicos precisam entender que a morte não é um inimigo. É algo natural”, defendeu o médico. Um caso usado como exemplo de ortotanásia é o do papa João Paulo II. Ele prefeririu passar seus últimos momentos em quartos comuns, recebendo os chamados cuidados paliativos, em vez de ficar hospitalizado.

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