22/01/2019 12h54

Homem segurava o dinheiro, documentos e bagagem de meninas paraguaias e dizia que elas não podiam ir embora porque não tinham dado o “retorno do investimento”

Gisele Berto

A Polícia Civil de Brasilândia prendeu hoje, 22, em flagrante o dono de uma boate em Brasilândia, acusado de tráfico internacional de pessoas e por manter casa de prostituição.

A ação foi deflagrada após a Polícia Civil ter apurado que garotas de programas que trabalhavam no local eram impedidas de sair caso não pagassem “dívidas” cobradas pelo dono do local. Os débitos seriam referentes à precária alimentação que recebiam, bebida e taxas que as garotas deviam por programa realizado.

A Polícia apurou que três cidadãs paraguaias que trabalhavam no local tentaram fugir na tarde de ontem, 21, mas foram perseguidas pelo proprietário da boate, que tomou o dinheiro, telefone celular e bagagem de uma delas, alegando que ela ainda não havia dado o “retorno do investimento feito”.

Documentos apreendidos pela Polícia Civil comprovam que o proprietário da boate financiava a vinda das cidadãs paraguaias para o Brasil e as obrigava a se prostituir até que fosse pago o valor que ele, supostamente, teria “investido” nas garotas de programas.

Foram apreendidos bilhetes de passagens desde Foz do Iguaçu, no Paraná, até a região de Brasilândia, bem como comprovantes de pagamentos feitos em casa de câmbio, cujos favorecidos eram cidadãos paraguaios, indicando a ocorrência de tráfico humano, cuja pena chega a oito anos de reclusão. A pena por manter casa de prostituição pode chegar a cinco anos de reclusão.

Na casa de prostituição foram apreendidos preservativos, cadernos com anotações sobre os programas e consumo das garotas de programa e uma máquina de cartão de crédito. A Polícia Civil vai solicitar a quebra de sigilo do equipamento e ouvir as pessoas que fizeram gastos com cartão de crédito ou débito no local, para apuração mais detalhada do crime.

As cidadãs paraguaias resgatadas foram ouvidas na delegacia e liberadas, indicando que seguiriam viagem para seu país de origem. Todas apresentavam documentos de migração. A Polícia Civil vai encaminhar ofício à Polícia Federal com os dados das cidadãs paraguaias para verificação da legalidade do ingresso no país e possível procedimento de expulsão do Brasil.

Dono da boate responderá por tráfico internacional de pessoas. Pena chega a oito anos de reclusão. Foto: Divulgação Polícia Civil

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