24/03/2016 11h57 – Atualizado em 24/03/2016 11h57

Também será realizada nova fase da pesquisa do mosquito com a bactéria Wolbachia, capaz de reduzir a transmissão de doenças

Da redação

O Ministério da Saúde vai lançar na próxima semana edital que garantirá a aplicação imediata de R$ 20 milhões para pesquisas contra o Aedes aegyptie as doenças transmitidas pelo mosquito: dengue, zika e chikungunya. Os recursos vão financiar estudos na área do controle do vetor, diagnóstico, prevenção e tratamento, anunciou, na manhã desta quarta-feira (23), o ministro da Saúde, Marcelo Castro.

Essa nova linha de financiamento à pesquisa faz parte das ações do Eixo de Desenvolvimento Tecnológico, Educação e Pesquisa do Plano Nacional de Enfrentamento ao Aedes aegypti e à Microcefalia, lançado pelo governo federal em dezembro de 2015. O anúncio foi realizado em cerimônia no Palácio do Planalto, com a presença da presidenta Dilma Rousseff.

Castro também anunciou que o teste com o mosquito com a bactéria Wolbachia, em pesquisa realizada em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), deve começar uma nova fase. Na próxima semana, representantes da Fundação Bill Gates chegarão ao Brasil para definir os próximos passos da pesquisa. Cidades como Rio de Janeiro e Niterói estão sendo estudadas como potenciais locais para a liberação do mosquito.

Já foram feitos estudos pilotos na Ilha do Governador, do Rio de Janeiro, e no bairro de Jurujuba, em Niterói. Agora, a ideia é fazer a pesquisa contemplando toda a área territorial de uma cidade e com uma população maior. Quando presente no Aedes aegypti, a bactéria é capaz de impedir a transmissão da dengue pelo mosquito. A proposta é usar os mosquitos como uma alternativa segura e autossustentável para o controle da dengue e de outros vírus, como zika e chikungunya. A iniciativa também está sendo realizada na Austrália, Vietnã, Indonésia e Colômbia.

PESQUISAS

A previsão do Ministério da Saúde é investir um total de R$ 258 milhões em novas tecnologias nos próximos quatro anos dentro do eixo do Plano Nacional de Enfrentamento ao Aedes aegypti e à Microcefalia. Até o momento, a pasta já se comprometeu com cerca de R$ 130 milhões para o desenvolvimento de vacinas, soros e estudos científicos para as doenças causadas pelo Aedes aegypti.

Entre os projetos em andamento pelo Ministério da Saúde estão a produção de 500 mil testes nacionais de biologia molecular para a realização de diagnóstico de dengue, chikungunya e zika pela Fiocruz. Hoje, o Brasil possui um teste para identificar cada doença, pois em cada processo são usados reagentes importados e, para descartar a presença da dengue e chikungunya, é necessário realizar cada exame separadamente.

Além disso, o Ministério da Saúde irá repassar R$ 11,6 milhões para a Fiocruz desenvolver pesquisa e vacina contra o vírus Zika. Do total, cerca de R$ 6 milhões (US$ 1,5 milhão) serão destinados para projetos de cooperação bilateral para pesquisas sobre o vírus zika e microcefalia entre a Fiocruz e oNational Institutes of Health (NIH). Os outros R$ 5,6 milhões serão para o desenvolvimento da vacina contra o zika vírus.

Também está sendo analisada a inclusão do zika vírus no teste NAT realizado nas bolsas de sangue em todo o País. O estudo será feito pelo Laboratório Biomanguinhos da Fiocruz, no Rio de Janeiro, que já detém a plataforma NAT no País, e a celeridade dos processos de registro ficarão a cargo de parceria firmada entre Anvisa e o FDA, agência reguladora dos Estados Unidos.

Outras parcerias entre os dois países estão em andamento, como a firmada com a Universidade Medical Branch, do Texas, para o desenvolvimento da vacina com o zika vírus. A parceria no Brasil para desenvolvimento da vacina será com o Instituto Evandro Chagas (IEC), órgão vinculado ao Ministério da Saúde. O governo brasileiro vai investir aproximadamente R$ 10 milhões nesse programa.

Para financiamento da terceira e última fase da pesquisa clínica para a vacina da dengue do Instituto Butantan, o Ministério da Saúde investirá R$ 100 milhões nos próximos dois anos para o desenvolvimento do estudo. Além da pasta, outros órgãos do governo federal devem colocar mais R$ 200 milhões. Também foi assinado, na mesma ocasião, investimento por parte do Ministério da Saúde de mais R$ 8,5 milhões no desenvolvimento de soro contra o zika vírus.

(*) Portal Brasil, com informações do Ministério da Saúde

O ministro da Saúde, Marcelo Castro, disse que os recursos poderão ser pleiteados por pesquisadores de todo o País. (Foto: Divulgação)

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