27/04/2016 11h36 – Atualizado em 27/04/2016 11h36

Em 40 meses, Eldorado Brasil atinge marca mundial de produção de celulose

A empresa promoveu um workshop, com a participação de jornalistas de Três Lagoas para falar da marca de cinco milhões de toneladas alcançada pela empresa em três anos e quatro meses de produção

Ricardo Ojeda e Daniela Silis

Quando aconteceu o lançamento da pedra fundamental da primeira unidade da Eldorado Brasil, em 15 de junho de 2010 o comentário no mercado era de que o projeto não passava de uma aventura e que dificilmente prosperaria. O empreendimento não só saiu do papel, como foi concluído conforme o cronograma estabelecido.

No dia 12 de dezembro de 2012, pontualmente às 12h ocorria o descerramento da placa inaugural da primeira fábrica de celulose do grupo J&F. Três Lagoas passou a contar com duas unidades produtoras de celulose; a Fibria e a Eldorado Brasil.

ATIVIDADE ECONÔMICA

O município que até pouco tempo tinha a pecuária como a principal atividade econômica, passou a ser a cidade onde é produzida a maior quantidade de celulose do planeta, tendo em seu quintal a maior fábrica de celulose branqueada em linha única do mundo.

A partir desta data, além de produzir celulose, os diretores da Eldorado, tinham outra missão: a superação. Precisavam superar metas, aumentar a produtividade e ganhar mercado.

Decorridos 3 anos e 4 meses a empresa não só superou as metas estabelecidas, atingindo a marca de 5 milhões de celulose, como está construindo a segunda linha de produção, o Projeto Vanguarda 2.0.

DE PORTAS ABERTAS

Para comemorar a meta atingida, a direção da Eldorado Brasil abriu as portas da fábrica para a imprensa de Três Lagoas, que foi recebida pelos gerentes da indústria. Um workshop foi promovido e mostrou detalhadamente o processo de fabricação de celulose, além do trabalho realizado durante esse período para atingir a marca em tempo recorde.

O workshop, que teve início às 9h na sala principal de operações da Eldorado Brasil, foi dirigido por dois gerentes de operação técnica da fábrica, Fabio Nakano, gerente geral, e Marcelo Martins, gerente de produção de celulose. Segundo os palestrantes, a fábrica que havia sido projetada para produzir diariamente cerca de 4.237 toneladas ao dia, já supera esta marca e produz em ritmo de 1,7 milhão de toneladas por ano. No dia 22 de março desse ano, quando foi atingido o recorde mundial de produção diária a quantidade chegou a 5.420 toneladas.

Nas imagens abaixo, uma sequência de fotos mostra os percentuais de produção alcançados pela Eldorado

DIFERENCIAL

Segundo Nakano, o diferencial da empresa, que é nova no mercado e já atingiu um número tão grande de produção, é o trabalho em equipe, as pessoas capacitadas e treinadas. “Cinco milhões em três anos e quatro meses é muita produção de celulose. Nenhuma empresa do mundo em uma única fábrica conseguiu fazer uma coisa dessas em um período tão curto”, afirmou.

Dentro da empresa o sistema de promoção é uma forma de reconhecimento levada a sério. Os profissionais têm a condição de serem promovidos, o que contribui com o sucesso da companhia. “Quando surge uma vaga de gerência, não vamos procurar alguém de fora, vamos dar oportunidade a alguém que já faz parte do quadro para promovê-lo, porque aquele profissional já tem os valores que a empresa precisa”, disse Nakano.

RECORDE DE PRODUÇÃO

Desde que a empresa foi startada em dezembro de 2012, as produções foram crescendo e atingindo metas em menos tempo. “O primeiro milhão de toneladas de celulose produzida foi em 314 dias, o segundo foi em 253, o terceiro milhão foi produzido em 231, o quarto em 224 e o quinto, quando foi batido o recorde, em 214 dias”.

Hoje a fábrica corresponde a 10% da produção brasileira de celulose. Com a construção da segunda fábrica, que deve começar a vender celulose para o mercado no início de 2019, o número de pessoas trabalhando na área industrial pode aumentar em 70%. A Eldorado Brasil será a segunda maior produtora de celulose de mercado e com a maior produção em um único site, com um pouco mais de quatro mil toneladas por ano, superada apenas pela Fibria, que é a maior empresa mundial do setor, e que deve manter o posto com o Projeto Horizonte 2.

PRODUÇÃO

Durante o workshop foi explicado os processos que a celulose passa até ficar pronta para a venda, além de explicar as diferenças entre a celulose de fibra longa e fibra curta. A principal diferença é que a fibra curta é utilizada na produção de papeis mais finos e que não tem a necessidade de serem tão firmes, como para escrever, para impressão, para usos sanitários, entre outros. Já a fibra longa é mais utilizada para a produção de papeis mais resistentes, como os sacos de cimento e embalagens, que não podem rasgar.

A primeira etapa do processo começa na floresta, onde são plantadas árvores de espécie folhosas, em que a principal matéria é o eucalipto, que são árvores que possuem fibras curtas. Para a produção da fibra longa, que não é o caso das empresas presentes em Três Lagoas, as árvores utilizadas são as coníferas. Após o tempo de colheita, as madeiras, já descascadas, são picadas em cavacos e levadas para a fase de cozimento.

Na fase de cozimento a celulose começa a ser separada da lignina, que é um líquido preto que se encontra junto à fibra. O produto que sai do cozimento é de cor marrom e ainda será lavado para a separação da lignina, que, se não retirada corretamente, causa uma coloração amarelada. Também é importante dizer que esse líquido não é descartado durante o processo, ele é utilizado como combustível e queimado como fonte de energia para a fábrica.

A produção de celulose obedece várias fases que inicia com a colheita da madeira e a chegada à fabrica onde passa por vários processos como mostra as fotos na galeria abaixo

FINALIZAÇÃO

Depois de lavada, a celulose passa por quatro etapas de branqueamento, que são processos químicos, até que cheguem à última etapa, que é a secagem. Após lavada, branqueada e seca, a celulose é prensada em folhas e empilhadas em fardos (caixas) para serem transportadas. E está aí o processo completo. Todas essas máquinas são controladas por meio de computadores em salas de operações.

De acordo com o gerente de produção de celulose, Marcelo Martins, “além de fazer papel, a celulose tem aplicações específicas para fazer fraldas descartáveis, absorvente íntimo e também alimentos, como sorvetes, salsicha, bala, uma série de outras coisas. Até mesmo roupa, como a viscose, só para mostrar a importância de celulose nas nossas vidas”, afirmou Martins.

A produção de celulose passa por vários processos até o produto final como pode observar na sequencia de imagens abaixo

VISITA À FÁBRICA

Para finalizar o workshop, os jornalistas presentes foram convidados a uma visita à fábrica, guiados pelos gerentes e agentes de segurança da empresa, acompanhados pelo time de comunicação corporativa da empresa. Durante a visita foi possível ver a dimensão da fábrica e como funciona cada processo de produção. Essa foi a primeira vez que a Eldorado promoveu um workshop tendo como roteiro um passeio técnico do empreendimento.

Pela primeira vez uma indústria de celulose convida a imprensa local para uma visita técnica no interior da fábrica, que pode ser acompanhadas pelas imagens na galeria abaixo

Fotos de Ricardo Ojeda e Daniela Silis

Marcelo Martins, gerente de Produção e Fabio Nakano, gerente geral da Eldorado exibem folha de celulose comemorativa ai recorde mundial de 5 milhões de toneladas produzidas em 40 meses (Foto: Ricardo Ojeda)

Produção de celulose da Eldorado Brasil abastece mercado externo, principalmente o continente Asiático. Cerca de 180 a 200 carretas saem diariamente da fábrica com destino ao porto de Santos, onde a empresa possui um terminal próprio. veja nas fotos abaixo (Fotos: Ricardo Ojeda)

Em área onde cultivava pasto para alimentar o gado, o eucalipto avançou se tornando a principal atividade econômica da região. Em algumas propriedades, ainda predomina o  consórcio silvipastoril (Foto: Ricardo Ojeda/Arquivo)

Gerentes da Eldorado Brasil receberam profissionais da imprensa usando camisetas comemorativa ao recorde de produção atingido (Foto: Ricardo Ojeda)

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