02/05/2016 10h56 – Atualizado em 02/05/2016 10h56

Em busca de empregos trabalhadores causam tumulto na porta do Ciat, PM é acionada

Desempregados quase quebraram a porta do posto de atendimento ao trabalhador, e empurraram funcionário que tentava controlar a fila no local, nesta segunda-feira

Ariane Pontes e Ricardo Ojeda

De acordo com a responsável pelo CIAT – Centro Integrado de Atendimento ao Trabalhador de Três Lagoas – Fátima Montanha, as pessoas que estavam procurando vagas tumultuaram o atendimento no local, no início da manhã desta segunda-feira, dia 2.

Cerca de 400 pessoas que esperavam iniciar o atendimento no Ciat, por volta das 7 horas, quase quebraram a porta e empurraram o funcionário que controlava a fila, iniciando o tumulto, explicou Fátima.

Foi preciso acionar a Polícia para conter a confusão e algumas pessoas mais exaltadas. “Acontece que o número de vagas colocadas pelos empregadores é pouco, comparada a demanda de pessoas que procuram por uma oportunidade hoje no município”, esclareceu a responsável.

Atualmente o posto de atendimento recebe em média de 400 pessoas por dia, em busca de empregos. O que representa um aumento de 100%, em relação há meses anteriores.

“Recentemente foi divulgado que o país possui 11 milhões de desempregados, e grande parte desse pessoal está vindo para Três Lagoas”, destacou Montanha.

Por conta do tumulto o atendimento no local foi encerrado por volta das 9 horas. Polícias acompanharam os trabalhadores até a porta, e foi anunciado que todos os dias que houver desordem, o atendimento será cancelado.

DESESPERO

O Perfil News conversou com algumas pessoas que estavam no local e a maioria disse estar desesperada por um emprego. É o caso da auxiliar de serviços gerais, Silvia Araújo que veio para Três lagoas em busca de uma oportunidade de trabalho.

Silvia, está há um mês na cidade, ela veio de Simolândia, Goiás e procura vagas de auxiliar de limpeza ou cozinha. “Ouvi na mídia que aqui tinha emprego, e vim com a cara e a coragem, mas ainda não consegui nenhuma oportunidade. Está difícil viu, e principalmente para mulheres”, comentou.

O haitiano Frank Pedo mora há sete meses no país. “Vim para o Brasil com objetivo de arrumar um trabalho, e melhorar minha vida. Só que não consegui nada ainda, todo dia venho procurar uma vaga, e nunca tem. Eu preciso pagar o aluguel, água e etc. Só acho que esse pessoal tem que ter um pouco mais de consideração com nós que somos negros e de outro país”, desabafou Frank.

Questionado como paga suas despesas com moradia e alimentação, o haitiano disse que sobrevive apenas, com a ajuda de Deus.


De acordo com a gerente do CIAT, Fátima Montanha, cerca de 400 trabalhadores estiveram hoje no órgão em busca de vagas de trabalho (Foto: Ricardo Ojeda)

Equipes da Policia Militar e uma guarnição da ROTAI foram acionadas para conter tumulto, mas ficaram de longe acompanhando o movimento, sem a necessidade de intervir (Foto: Ricardo Ojeda)


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