28/05/2019 14h36

O trabalho passou por uma pesquisa teórica e durou dois meses para ser concluído em Nova Andradina

Campo Grande News

Olhar para o muro da Escola Estadual Professora Fátima Gaiotto Sampaio, ver Anne Frank, Frida Kahlo, Malala Yousafzai, Carmem Miranda, Helena Meirelles, Marielle Franco e a jogadora de futebol Marta, é uma inspiração feminista. As alunas do Ensino Médio estudaram cada detalhe para que a arte, além de colorir a fachada do colégio de Nova Andradina, a 300 quilômetros de Campo Grande, também remetesse à luta e à garra das mulheres.

Foi a partir dessas pesquisas que as estudantes pensaram em pintar as sete mulheres e fazer um mural, inclusive, com nomes de ícones locais, como a violeira Helena Meireles.

Cada mulher tem uma história de vida diferente, porém todas tiveram que batalhar para conseguir seu espaço, lembra a professora. Foi a primeira vez que o muro da escola recebeu uma pintura temática, que agora serve como decoração e motivação.

O trabalho não foi fácil, mas teve ajuda também da comunidade. “Ganhamos as tintas de uma empresa de material de construção da cidade. O projeto existe há três anos, então nisso os alunos aprenderam a desenhar e pintar. Começamos em março e terminamos no começo desse mês. Para concluir a arte, tivemos que nos dedicar todas as tardes das 15h às 19h”.

imagem da Frida foi escolhida pelas alunas, mas teve o “dedo” da professora que admira a artista. “Gosto muito dela e acabei passando isso para elas, é um amor compartilhado. Tive meu primeiro contato com a Frida na faculdade e como ela tem uma história de superação tanto na vida pessoal quanto profissional, foi a primeira que veio em mente”, explicou Jessica.

Ao todo, foram dez alunos do ensino médio que participaram do processo de criação. A iniciativa partiu das meninas, porém o aluno Marcos resolveu ajudar. A pintura da Malala com fundo vermelho e roupa amarela meio que cobrindo os cabelos, serve para retratar a educação. “Foi à aluna Amanda quem pensou nela, por conta da defesa dos direitos humanos e do direito das mulheres estudarem. Para fazer a arte no muro usamos um projetor como base”, disse.

Como lugar de mulher é onde ela quiser, as estudantes, Vitoria Maria e Lívia Pazinato escolheram embelezar o muro com a imagem da jogadora Marta. “Queremos mostrar que futebol não é só para homem. Mulheres são boas em campo e a Marta é a prova disso, quebrou tabus e é a melhor do mundo”, destaca Vitória.

Ela é fã de futebol e às vezes joga bola. No entanto, o mais importante é expor a força da jogadora através da arte. “Pensamos em trazer o empoderamento. Pintamos a Marta de costa para mostrar o número 10 do uniforme que representa o Brasil. As cores da imagem fazem referência ao país”, relata Vitória Maria.

A figura de Marielle também está à mostra no muro, com o retrato do rosto da ex-vereadora e flores nas cores amarelas, azuis e vermelhas dando delicadeza a homenagem. Essa foi a escolha das alunas Vanessa Rodrigues e Erica Beatriz, que não poderia faltar. “Representa a mulher negra, a mulher na política”, disse Erica.

Do cenário musical, foi escolhida a cantora Carmem Miranda para retratar a música brasileira. A imagem da artista sul-mato-grossense Helena Meirelles faz referência ao Estado e lembra a história de uma das violeiras mais fortes e conhecidas do Brasil, que apreendeu a tocar como poucos, e enfrentou a família para viver da viola. Helena fugiu de casa adolescente, aos 17 anos já estava casada e passou a ganhar dinherio fazendo o som de bordeis pelo interior de Mato Grosso do Sul. A fama só veio na velhice, depois de um sobrinho enviar algumas fitas para a revista norte-americana Guitar Player e ela ser eleita destaque de 1993.

Mas as meninas também foram longe para buscar as personagens do mural. A estudante Maria Izabel escolheu a imagem de Anne Frank, que foi uma adolescente alemã de origem judaica vítima do Holocausto. “Fiz uma releitura e interpretação. A gente leu o diário dela, fizemos trabalho sobre sua vida e ela é importante por conta da história e dos registros que fez, que ajudou a descobrir como foi o período nazista”, explica.

Para as meninas, a cada pesquisa surgia mais lições de força dessas mulheres. “Pintamos Anne sorrindo, porque, apesar do período triste que viveu, sempre sorria. Teve uma frase que colocou no diário dizendo que mesmo com todo o sofrimento, acreditava na bondade humana”, destaca Maria Izabel.

O rosto de Anne está sob um fundo azul claro, que era sua cor preferida. “O azul sempre esteve presente na vida dela, usava muito e também porque via pela janela o céu azul”.

O trabalho está exposto na frente da escola e é visto de longe pelas cores vibrantes.

As pinturas foram realizadas no muro da frente da escola (Foto: Sabrina Hanzen)

As alunas tiveram a ideia de homenagear as mulheres na escola (Foto: Sabrina Hanzen)

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