07/04/2015 12h21 – Atualizado em 07/04/2015 12h21

Agressão e abandonos de animais domésticos está virando rotina em Três Lagoas e municípios da região, que inclusive já existem páginas nas redes sociais foram criadas para denunciar essas ocorrências

Ricardo Ojeda e Patrícia Miranda

Em um dia santo que deveria servir para reflexão e de respeito ao próximo uma atitude violenta de um jovem chamou a atenção da comunidade local e dos internautas, causando repulsa e ódio.

O jovem, que até o momento ainda não foi identificado matou um inofensivo gatinho no chute, quando o felino estava parado na calçada de uma conveniência, na Avenida Eloy Chaves, bairro São Jorge.

A ação do rapaz foi registrada pelas câmeras de segurança da conveniência e as imagens foram postadas na Facebook, através do internauta Jean Roberto e compartilhada pela Protetoras Treslagoas. A sequência da atitude do rapaz foi registrada e as imagens foram liberadas pelo proprietário do estabelecimento, Hamilton de Souza Barboza, à reportagem do Perfil News. Barbosa disse estar chocado com o acontecimento, “se um rapaz faz isso com um bichinho indefeso, imagine então com uma pessoa de idade, uma criança”, disse indignado.

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AFETO

De acordo com o empresário, o gatinho vivia no local há uns seis meses e foi adotado por ele, servindo como “uma mascote” do estabelecimento. “As pessoas gostavam do animal, que chamava Narizinho. Algumas compravam leite para o bichano”, disse.

O fato foi registrado na Sexta-feira Santa, no final da tarde e as imagens mostra o agressor chegando ao local, entra na conveniência, pede um fósforo e acende o cigarro. Na sequencia vai para a calçada onde chuta com violência do animal que não esboçou nenhuma reação. O chute foi tão forte, como mostra as imagens que o chinelo chega a sair do pé do indivíduo. O gatinho sai correndo a vai até uma viela, distante uns 12 metros do local e não resiste, morrendo provavelmente de hemorragia interna.

Rosimeire Pereira Vida, dona de uma loja de roupas que fica dentro da conveniência, disse que o gato era de rua, mas já era familiarizado com todos. “Lembro que a cada 15 minutos ele nos procurava tanto para comer ração, quanto para pedir carinho. Ele ficava o dia todo na porta. Quando fiquei sabendo do que tinha acontecido fui procurar ele e o encontrei na lateral, nos fundos da conveniência em uma rua sem saída. Ele estava deitado e fui ver o que tinha acontecido e quando me aproximei vi que ele já estava morto.

Narizinho como era carinhosamente chamado, apareceu machucado há alguns meses, com ferimentos pelo corpo e em seu nariz, ai a ideia do nome. “Sentimos muito a falta dele, agora ainda colocamos ração no mesmo local, pois há outro gatinho preto que vêm se alimentar. Me lembro que já houve o caso de uma pessoa que comprou leite aqui e quando chegou à porta deu para o Narizinho beber. Já tinha até uma pessoa que queria adotá-lo, se soubéssemos”, lamenta o dono da conveniência e finaliza “nas filmagens vemos que até os cachorros não se incomodavam com a presença dele porque ele fez isso? É uma situação de desrespeito e covardia contra o animal”.

Até o presente momento nenhuma informação sobre o homem que teria feito a ação, somente as imagens do circuito interno pode ajudar na identificação.

OUTRO CASO

Na cidade paulista de Santa Fé do Sul, distante 130 km de Três Lagoas, um caso chamou à atenção da comunidade. Em uma postagem na página da ONG (Organização Não-Governamental) “Gavas- Santa Fé do Sul” de proteção a animais, também na Sexta-feira Santa, causou revolta. Nove gatos (oito machos e uma fêmea) foram colocados dentro de uma bolsa e impedidos de sair. Os gatos foram deixados em frente à casa de uma ativista da ONG, que ao deparar-se com a cena entrou em desespero. A polícia foi chamada que registrou um Boletim de Ocorrências. Dos nove felinos, apenas dois conseguiram sobreviver ao trauma. Os corpos foram periciados e foi constatada a morte por asfixia.

LEI

A Lei 9.605/98, que diz respeito aos maus tratos contra animais são hoje disciplinados pela em seu artigo 32, que dispõe: “Art. 32. Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos: Pena – detenção, de três meses a um ano, e multa, § 1º Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos, § 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço, se ocorre morte do animal.”


CRUELDADE: Mesmo na presença de algumas pessoas, o rapaz não se intimidou chutando o o gatinho que estava na calçada da conveniência (Foto: Reprodução)

Hamilton de Souza Barboza, dono da conveniência mostrou o local onde o animal foi encontrado morto e disse estar chocado com o acontecimento (Foto: Ricardo Ojeda)

Em Santa Fé, nove gatos (oito machos e uma fêmea) foram colocados dentro de uma bolsa e abandonados na frente da casa de uma ativistas. Apenas dois sobreviveram (Foto: Facebook)


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