09/04/2019 15h51

Investimentos poderiam resolver grande parte dos problemas de alagamentos no município; representantes do povo também falaram sobre ameaças que funcionários da UPA teriam sofrido

Redação

Os alagamentos ocorridos em diversos bairros do município, especialmente no JK e Jardim Alvorada, foram um dos temas centrais das discussões dos vereadores de Três Lagoas na 9ª sessão, realizada nesta terça-feira (9).

Todos os vereadores que discursaram sobre o assunto lembraram que é necessário que se tomem medidas estruturadas para solucionar a questão, sobretudo com investimentos em drenagem, assim como serviços permanentes de limpeza de bocas de lobo e dos piscinões.

DRENAGEM

Os vereadores afirmaram que aguardam que a administração municipal se reúna com o Legislativo para explicar como pretende investir os recursos de um possível empréstimo na macrodrenagem do município. Após a explicação sobre os investimentos, a Câmara deverá votar a autorização para que o município contraia ou não o empréstimo.

No final de 2018, a prefeitura apresentou o projeto de lei nº 130, que previa a tomada de R$ 43 milhões junto à Caixa Econômica Federal (CEF) e o nº 131, para autorização de empréstimo de até US$ 50 milhões, junto à Corporação Andina de Fomento. No entanto, os projetos foram recusados com a explicação de que não havia informações concretas sobre como a prefeitura usaria o dinheiro, quais os juros e formas de pagamento, além de o valor ser muito alto.

Segundo os vereadores Realino e Luiz Akira, a prefeitura já protocolou a solicitação para que a Câmara marque a reunião de esclarecimento, com a presença de todos os vereadores, o que deverá ser feito em breve.

Na tribuna, Davis Martinelli, por exemplo, relatou os alagamentos sofridos por moradores da região do bairro JK, um dos mais afetados pelas chuvas e cobrou medidas emergenciais para reduzir os impactos.

Renée Venâncio também abordou o assunto, porém questionou o fato de que a prefeitura quer sigilo público sobre o projeto de empréstimo para a drenagem. “Como parlamentares, temos que debater com as entidades representativas, para auxiliar em um crescimento planejado e não ao Deus dará”, defendeu.

Luiz Akira explicou que é mais prático que os vereadores tomem conhecimento juntos. Também explicou que a prefeitura pretende esclarecer todas as dúvidas e o sigilo não é para esconder o projeto da sociedade, mas para preservar o sigilo exigido nos processos licitatórios que serão abertos, futuramente, caso o projeto seja aprovado pelos vereadores.

Em seu pronunciamento, ao falar sobre a possibilidade de o município contrair empréstimo para a drenagem, o vereador Gilmar Garcia Tosta defendeu que o município de Três Lagoas não pode assumir sozinho os custos para implantar infraestrutura. “Contribuímos até com o PIB nacional, por meio das exportações”, lembrou. Assim, defendeu que o Estado e a União colaborem nos investimentos em drenagem. “Precisamos pressionar as autoridades do estado que atuam em nível federal para que haja verbas federais para pelo menos uma parte dos investimentos em infraestrutura”, afirmou. Gilmar criticou o crescimento desordenado, lembrando que hoje tem ocorrido alagamentos em áreas que, antes do processo de impermeabilização do solo, não aconteciam.

Luiz Akira usou a tribuna para relatar a realização de uma reunião na região da rua Jari Mercante, no final de semana, quando os moradores do local externaram os problemas que enfrentam com as chuvas, como perda bens com os alagamentos. Disse que o secretário Adriano Kawahata Barreto, da pasta de Infraestrutura, Transporte e Trânsito, explicou o problema de forma técnica, disse que é um projeto a ser executado em longo prazo e com grande investimento, porém adiantou que fará um serviço de limpeza de boca de lobos, visando minimizar os impactos.

Outra questão abordada na reunião entre a prefeitura e moradores, segundo Akira, foi a possibilidade de se tirar a avenida Jari Mercante do projeto de macrodrenagem, viabilizando obras mais urgentemente. A ideia seria construir um canal na via, para coletar as águas pluviais.

Jorginho do Gás também abordou o tema e sugeriu que o Plano Pluri-Anual (PPA) e o orçamento anual de 2020 já designem um bairro ou região por ano para receber a infraestrutura e a drenagem necessárias. Em sua opinião, o orçamento próprio comporta ir aos poucos, mas concordou com Gilmar Garcia de que as esferas estadual e federal também precisam investir na infraestrutura do município. “A população quer que a situação seja resolvida e a administração não consegue implantar o projeto até o ano que vem, com o empréstimo que é requerido pela prefeitura. Por isso tem que ir aos poucos também”, disse.

O vereador Apóstolo Ivanildo também falou sobre a questão, reafirmando que a não aprovação do empréstimo, no ano passado, ocorreu porque a prefeitura não deixou claro como seriam feitos os investimentos. No entanto, argumentou que, há anos, a população ouve que drenagem é difícil de resolver, mas defendeu que o assunto seria resolvido aos poucos, se fosse prioridade. Ele criticou gastos com eventos e festividades, quando poderiam ser aplicados naquilo que é prioridade pública.

AMEAÇAS NA UPA

Outro assunto na pauta foi a veiculação, nas redes sociais, de ameaças de morte a funcionários da Unidade de Pronto-Atendimento (UPA), devido a descontentamento com o atendimento de saúde no local.

O vereador Tonhão apresentou, na tribuna, denúncia de que funcionários da UPA estariam sendo ameaçados, via rede sociais, até de sofrer um massacre, devido a críticas com o atendimento.

As ameaças foram repudiadas pelos vereadores, que solicitaram medidas para garantir a segurança dos servidores. Também foi debatido que, se há maus funcionários, que sejam punidos administrativamente.

O vereador Sargento Rodrigues sugeriu a implantação de serviço de segurança no local.

Foto: Divulgação

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