Nutricionista desmistifica tabus sobre alimentação e fala como manter uma relação mais humana com a comida; a quem diz que eles não comem nada, três-lagoense diverte-se: “como tudo aquilo que não foge na hora de ser apanhado”

De olho na saúde e buscando o equilíbrio entre seres humanos e animais, cada vez mais pessoas em todo o mundo abrem mão do consumo de carne. O Instituto Ibope realizou uma pesquisa no ano passado e constatou que cerca de 30 milhões de pessoas no Brasil, ou 14% da população, são adeptas, em maior ou menor grau, a uma alimentação que exclui carne do cardápio.

Além dos adeptos do vegetarianismo (pessoas que não comem carne) e flexitarianismo (aqueles que reduziram o consumo de carne) cresce o número de veganos, pessoas que excluem totalmente o consumo de produtos de carne ou derivados do sofrimento ou exploração animal. E isso vai muito além da comida: como forma de respeitar as formas de vida, eles não usam roupas de lã ou couro, cosméticos e até medicamentos que sejam testados em animais.

Pedro Henrique, que também segue este estilo de vida há três anos, conta como foi a decisão de mudar seus hábitos. “ Comecei a não achar certo consumir carne, pois ali tem uma vida e a natureza está aí nos fornecendo tudo que precisamos. No início eu ainda comia derivados – leite, ovo etc – hoje cortei tudo de origem animal, além de sal, refrigerante, álcool e soja, porque a plantação de soja apenas 20% vem para o consumo humano e o resto é desmatamento para criação de gado e usam a soja para alimentá-los”, explicou ele.

ALIMENTAÇÃO EQUILIBRADA

Em Três Lagoas os adeptos ganham força. Jaqueline do Carmo Cardoso, adepta do veganismo, explica que comer carne é algo cultural. “Quando refletimos sobre nossa conduta em relação aos animais e, além disso, buscamos informação sobre o assunto, entramos em um conflito pessoal, questionamos nossa ética e empatia, pois despertamos para o fato de que os animais são seres sencientes, ou seja, sofrem, sentem dor, medo. Foi buscando informações que percebi que não podia mais compactuar com a exploração animal, e, portanto, me tornei vegana”, disse ela.

Além da alimentação restrita, os veganos não frequentam lugares como zoológico, circo, parques. Qualquer entretenimento envolvendo animais é abolido pelos adeptos “Devemos ter empatia e amor, afinal eles são seres vivos e não são diferentes de um gato ou cachorro e muito egoísmo da nossa parte usar estes animais para nossa diversão”, comentou Pedro.

Apesar da alimentação ser bem restrita a nutricionista Thais Cabral da Costa explica que este estilo de vida não traz nenhum risco à saúde “Este novo hábito está fazendo com que a população tenha conhecimento dos alimentos in natura e com isso acrescentando às suas refeições diárias alimentos ricos em nutrientes, ganhando qualidade de vida”, disse.

Como suas refeições são baseadas em verduras e legumes a nutricionista alerta para que as pessoas se atentem ao preparo dos alimentos “Pessoas veganas deve sempre se preocupar com o modo de preparo dos vegetais para evitar a perda de nutrientes. E sempre procurar um profissional para ajudar a equilibrar e apresentar as formas de preparo, já que uma vez mal preparada você perde todos seus benefícios e a variedades de alimentos”, explicou Thais.

Pedro Henrique desmistifica a lenda de que o estilo de vida vegano seja caro e difícil: “Quem pensa que essa alimentação se resume apenas a saladas está muito enganado. O que conta é a imaginação, porque diversidade tem de sobra”, brincou ele.

SEM CARNE E MAIS SAÚDE

Apesar deste estilo de vida mais humanizado estar cada vez mais presente, Jaqueline conta que ainda passa por algumas situações na hora de se alimentar, mas leva tudo no bom humor. “As pessoas se espantam, talvez por nunca terem conhecido um vegano, ou fazem perguntas, o que é uma brecha muito bacana para trocar ideias, tirar dúvidas. Muitas vezes, as pessoas perguntam o que como e eu respondo sempre brincando que como tudo aquilo que não foge na hora de ser apanhado”, explicou a jovem.

Pensando nas dificuldades que os adeptos a causa animal passam, José Carlos Lourenço decidiu abrir um restaurante vegano/vegetariano na cidade de Três Lagoas “Eu já cresci com essa cultura de não consumir tanta proteína animal, já temos esse habito de ver nosso corpo como templo e tudo que ingerimos deve ser puro”, contou.

José inaugurou o restaurante Super Saudável em 2015. O estabelecimento é voltado para pessoas que não ingerem proteína animal e procuram uma alimentação equilibrada. No começo era apenas uma loja com produtos, mas como as vendas não eram lucrativas a ideia do restaurante nasceu e hoje com a ajuda dos familiares e uma nutricionista que elabora todo o cardápio o estabelecimento segue fortalecendo a causa da não violência aos animais.

Todos os alimentos são fornecidos pelos produtores locais. “Todos os dias as verduras e legumes chegam fresquinhas e nosso diferencial é esse. Buscamos nunca abandonar nosso conceito voltado ao meio ambiente, desde os móveis de paletes reutilizados até o descarte dos alimentos”, destacou José.

O restaurante conta com certificação ambiental e todo o óleo utilizado é devidamente descartado nas normas de segurança ambiental.

SERVIÇOS

O Super Saudável fica localizado na Rua João Dantas Filgueiras 523 – bairro Nossa Senhora Aparecida.
Horário de funcionamento: 8h30 às 17h.
Telefone: 3522-4674

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