12/09/2017 14h58

Esquema ocorreu na gestão da ex-prefeita Marcia Moura. Funcionários favoreciam três oficinas mecânicas, que cobravam preços abusivos por serviços prestados ao município. Polícia Federal identificou a organização criminosa

Lucas Gustavo

Mais de R$ 1,6 milhão foi desviado da prefeitura de Três Lagoas, entre os anos de 2015 e 2016, em um esquema de superfaturamento que envolve 5 funcionários públicos do município e 3 empresários donos de oficinas mecânicas locais. Os acusados, que tiveram a identidade preservada, prestaram depoimento hoje (12) à Polícia Federal durante a Operação Cambota. As investigações também têm o apoio da Controladoria Geral da União (CGU) e do Ministério Público Estadual (MPE). Os suspeitos foram liberados depois de serem ouvidos, mas a apuração do caso prossegue.

Ao todo, durante a manhã, conforme apurado pelo Perfil News, 67 agentes cumpriram 13 mandados de condução coercitiva na cidade, expedidos pela 3ª Vara Criminal. Ainda foram realizados 7 mandados de busca e apreensão no prédio da prefeitura e nas oficinas investigadas.

Os delegados Vinícius Zangirolani, Alan Givigi e Cleo Mazzotti, acompanhados do promotor Luciano Lara, em coletiva de imprensa, deram detalhes sobre a operação.

ESQUEMA

De acordo com Alan, as investigações tiveram início no ano passado e buscam esclarecer negociações ocorridas em 2015 e 2016 – gestão da ex-prefeita Marcia Moura -. ‘’Apuramos que há grandes indícios de um comboio entre alguns servidores da prefeitura e proprietários dessas oficinas mecânicas. Além disso, está comprovado o sobrepreço acima de 400% em serviços e peças, se comparado com o valor justo do
mercado’’, disse.

Ainda conforme o delegado, um levantamento feito pela Polícia Federal deu conta que as atividades neste ramo prestadas ao município se concentravam em apenas três oficinas. Para ele, as empresas eram beneficiadas pelos funcionários da prefeitura.

‘’Mais de 70% de todo o serviço era centralizado nessas três empresas. As outras 25 oficinas, que também estavam aptas a trabalharem para o município, ficavam com menos de 30% das requisições. Nesse período, essas demais realizaram quantidade inferior a 5% do total de serviço que a prefeitura precisou, pois o trio de empresários era sempre favorecido’’, explicou.

ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA

Segundo o delegado Vinícius, os cinco servidores envolvidos no escândalo pertencem ao terceiro escalão da prefeitura e o esquema funcionava na gestão anterior. Ele define o grupo como organização criminosa e ressalta que, somente no decorrer da apuração dos indícios, será possível saber se a quadrilha tem mais integrantes.

‘’Somente com o resultado desse material apreendido conseguiremos medir a proporção desse esquema criminoso e a conduta que os membros realizavam efetivamente. Vamos investigar também quais vantagens cada um conquistava. Ainda não temos informações sobre propina nem do envolvimento de funcionários do primeiro escalão’’, antecipou ele.

SUSPEITA

De acordo com o promotor Luciano Lara, existe a suspeita de que o sistema de superfaturamento possa ter se repetido em outros serviços e aquisições da prefeitura. A presunção, segundo ele, só poderá ser confirmada com minuciosa averiguação das informações.

‘’A apuração vai continuar e esperamos esclarecer tudo por meio de cruzamentos de dados. Por se tratar de uma organização criminosa está sendo trabalhada com todos os investigados a possibilidade de deleção premiada’’, anunciou Luciano, acrescentando que, no momento, não há requisitos para o pedido de prisão preventiva dos acusados.

DE PORTAS ABERTAS

Em entrevista ao Perfil News, o prefeito Angelo Guerreiro garantiu que contribui com as investigações. Segundo ele, todos os setores municipais estão de portas abertas para que a Polícia Federal conclua o trabalho.

‘’Deixamos claro à população que todo esse processo envolve o biênio 2015-2016, gestão anterior a nossa. Se existe um culpado, precisa ser punido’’, pontuou Guerreiro.

Reportagem do Perfil News acompanhou coletiva de imprensa sobre o caso na sede da Polícia Federal. (Foto: Ygor Andrade/ Perfil News).

Delegados Vinícius Zangirolani, Alan Givigi e Cleo Mazzotti, acompanhados do promotor Luciano Lara. (Foto: Ygor Andrade/ Perfil News).

Polícia Federal fez buscas na prefeitura e nas oficinas mecânicas investigadas. (Foto: Ricardo Ojeda/ Perfil News).

Quase 70 policiais participaram da Operação Cambota. (Foto: Divulgação/ Polícia Federal).

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