20/09/2019 15h51

Grupo capitaneado por Bruno Patrezi levou 12 domingos para entregar o imóvel para a mulher; “eu não dava muita atenção pra ele, achava que era um moleque, mas agora eu tenho um amor tão grande por ele…”, contou dona Edileusa

Gisele Berto

Doze domingos. Muitas vezes, sem dinheiro para um almoço, dividindo um frango entre quatro pessoas. Mas a fé nunca faltou.

Desse jeito, Bruno Patrezi reuniu um grupo de voluntários e colocou a mão na massa para reconstruir a casa de Dona Edileusa, incendiada em abril do ano passado na Vila Piloto.

O mestre de obra era Vino, o Baiano. “A gente se conheceu e ele me contou que fazia casa pra ajudar o povo. Eu disse que se precisasse de ajudar eu ia, porque na nossa terra (ele é de Camaçari, na Bahia) é assim que a gente faz, a gente não paga alguém pra construir. Juntamos os amigos e fazemos as casas uns dos outros”, contou.

Nem tudo foi flores. Bruno conta que teve um dia que discutiu com dona Edileusa e disse que ia abandonar a obra. E foi o baiano Vino que o trouxe de volta à razão. “Ele me disse ‘cara, não leva pelo coração, não’. E é verdade. Se a gente for levar tudo a ferro e fogo é complicado”, contou.

Bruno, que planeja anualmente uma feijoada solidária para arcar com projetos sociais, encontrou muitos entraves para a conclusão do projeto. “Foi a casa mais difícil que a gente teve. A mais longe, a maior e a que teve menos dinheiro”, lembra.

Ciente dos seus privilégios, como casa confortável, família e amigos, Bruno diz que o que o motiva a continuar as empreitadas sociais é a gratidão. “Eu sou abençoado demais tendo tudo o que tenho. Não nasci tendo isso, a vida não foi fácil. Mas eu penso: se eu já tenho tudo isso, por que não ajudar quem ainda não tem? Meus amigos, minha casa, minha família, está tudo lá. Mas tem gente que não tem casa, nem amigos ou família. A vida é uma só. Precisamos amar agora e ajudar agora”, disse.

Muito além de posição social, Bruno fala sobre a turma da Bahia que ajudou na obra. “Agora são todos meus amigos. Pessoal humilde, com casas simples, mas que estavam aqui, todos os domingos, fazendo a obra acontecer pelo bem do outro. Ajudar os outros vai além do seu status social. Não é o que você tem, é quem você é. A gente vale na vida pelo que a gente é, não pelo que a gente tem”, disse.

A dona da casa, Edileusa, está feliz da vida. “Quando o Bruno veio aqui da primeira vez, eu não dei muita atenção. Foi a primeira pessoa que apareceu. Ainda falei pra minha filha: “se for aquele moleque… ele não vai fazer nada, não’. Eu estava angustiada. E hoje peguei um amor tão grande por ele. É a família que eu não tenho”.

Acompanhe abaixo a entrevista completa e veja como ficou a casa da dona Edileusa.



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