16/05/2013 11h51 – Atualizado em 16/05/2013 11h51

Empresa prestava serviços de radiologia ao Hospital do Câncer. Ação é desdobramento da Operação Sangue Frio, em hospitais de MS.

Da Redação

Auditoria nos contratos do Hospital do Câncer, em Campo Grande, revela que o desvio de recursos do SUS pode ter beneficiado outras pessoas que não estavam sendo investigadas no início da Operação Sangue Frio. Uma empresa de radiologia que prestava serviços para o hospital teria faturado sem comprovar corretamente os atendimentos aos pacientes, segundo apuração dos auditores. O assunto foi mostrado em reportagem do Bom Dia MS desta quinta-feira (16).

Determinar o número exato de pacientes atendidos pela empresa terceirizada se transformou em um desafio para os auditores do Tribunal de Contas e da nova administração do Hospital do Câncer. O problema é que as notas fiscais apresentadas pela empresa Refix, que recebe em média R$ 100 mil por mês do Sistema Único de Saúde (SUS), não especificam os atendimentos. De acordo com as normas do Ministério da Saúde, a situação é irregular.

O caso já foi encaminhado ao Ministério Público Estadual. Diante das irregularidades, o Hospital do Câncer cancelou o contrato com a Refix, que ainda irá prestar o serviço por mais dois meses, de forma emergencial. Este é o prazo para que a instituição contrate uma nova empresa.

A atual direção do hospital informou por meio de ofício à promotoria que, no ano passado, a diferença de valores entre o que foi lançado no sistema do SUS e os que foram pagos à empresa Refix chega a R$ 164 mil. Pela análise dos auditores do Hospital do Câncer, em cinco anos a empresa Refix teria recebido cerca de R$ 4,5 milhões.

A sede da empresa fica em uma imóvel residencial em um bairro distante do centro de Campo Grande. Quem mora na casa é irmão do dono da empresa. No registro da Junta Comercial de Mato Grosso do Sul, a empresa Refix Serviços Técnicos Radiológicos pertence a dois sócios. Um deles é Adalberto Chimenes, técnico em radiologia e ex-funcionário do Hospital do Câncer. Ele ainda é funcionário do Hospital Universitário, que também é alvo de investigações da Operação Sangue Frio. Procurado pela reportagem, Chimenes explicou a situação da sede da empresa. “É um escritório que funciona para questões de inscrição municipal, mas a Refix trabalha e funciona há 11 anos dentro do Hospital do Câncer”, diz.

A empresa ainda usa alguns equipamentos do Hospital do Câncer, como mamógrafos, para prestar os serviços de radiologia. O contrato prevê que 12% do faturamento da Refix sejam devolvidos ao hospital como forma de pagamento pelo uso do local e dos equipamentos. Os auditores ainda não encontraram o repasse desse dinheiro, por falta de detalhes nas notas fiscais. Chimenes garante que os valores foram repassados, mas admitiu a irregularidade nos documentos.

(*) Com informações de G1 MS

Comentários