16/08/2017 11h41

Mercado da celulose tem sido destaque nos principais jornais do País. Repercussão pode se tornar mundial com possível parceria entre Fibria e Suzano

Ricardo Ojeda

O mercado de celulose nunca esteve tão comentado pela imprensa nacional como agora. A negociação da Eldorado Brasil, empresa de celulose dos irmãos Batista com a chilena Arauco não prosperou como se cogitava nos bastidores. Porém, o Grupo J&F, que controla a Eldorado Brasil, não ficou abalado com a desistência da Arauco.

Ocorre que num intervalo de apenas uma semana, duas empresas asiáticas, April e App mostraram interesse pela Eldorado, como divulgou vários veículos de comunicação especializados em economia. Além disso, os valores ofertados pelas companhias asiáticas a Eldorado sobrepõem à oferta dos chilenos.
Em nota, a assessoria de Comunicação da J&F Investimentos informou que não irá comentar sobre as negociações da Eldorado, reiterando que os processos seguem os trâmites usuais para operações dessa natureza.

MOVIMENTO

Enquanto isso, a Fibria, que detém a liderança de maior produtora mundial de celulose de eucalipto, se movimenta para consolidar ainda mais esse título. Para isso, a empresa articula uma possível fusão com outra gigante do setor, a Suzano Papel e Celulose.

De acordo com nota assinada pela jornalista Stella Fontes, divulgada no Valor Econômico, a tratativa entre as duas empresas é vista pelo mercado como potencialmente positiva. A Suzano é a segunda maior produtora global de celulose e está entre as cinco maiores no mercado, exportando sua produção para mais de 60 países.

ESTRUTURA

A empresa é controlada pela Suzano Holding e parte do Grupo Suzano, investe no setor de papel e celulose há 90 anos. Atualmente, possui seis unidades industriais: Suzano, Rio Verde, Limeira e Embu, no interior do Estado de São Paulo, Mucuri, na Bahia, e Imperatriz, no Maranhão. Sua capacidade de produção é de 4,7 milhões de toneladas de papel e celulose por ano.

Enquanto a Fibria possui unidades industriais localizadas em Aracruz (ES), Jacareí (SP) e Três Lagoas (MS), além de Eunápolis (BA), onde mantém a Veracel em joint-operation com a Stora Enso. A companhia possui 1,056 milhão de hectares de florestas, sendo 633 mil hectares de florestas plantadas, 364 mil hectares de áreas de preservação e de conservação ambiental e 59 mil hectares destinados a outros usos.

PRODUÇÃO

Os 5,3 milhões de celulose produzida anualmente pela Fibria são exportados para mais de 35 países. Em setembro deste ano, a empresa terá mais uma linha com capacidade produtiva de 1,95 milhão de toneladas/ano. Está previsto a conclusão da planta construída em Três Lagoas, denominada projeto Horizonte 2. Somados, a produção da empresa ampliará para 7,25 milhões de toneladas de celulose/ano. Caso a fusão com a Suzano se concretize, as duas empresas produzirão 11,95 toneladas de celulose por ano.

Comitiva chilena formada por diretores da Arauco esteve no mês passado visitando a Eldorado, porém a negociação não prosperou (Foto: Divulgação)

Gráfico mostrando a evolução produtiva da Suzano desde 2004 (Foto: Reprodução)

Visão parcial da nova planta de celulose da Fibria construída em Três Lagoas e que deverá ser concluída em setembro próximo (Foto: Assessoria)

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