10/11/2006 13h50 – Atualizado em 10/11/2006 13h50

Campo Grande News

A Associação de Cabos e Soldados Militares deve encaminhar à Vara de Execuções Penais de Campo Grande um documento denunciando a situação dos policiais militares que trabalham na área interna do EPSM (Estabelecimento Penal de Segurança Máxima) desde a rebelião de maio. Segundo o presidente da Associação, José Florêncio de Mello Irmão, o serviço no interior do presídio não é função da PM (Polícia Militar). “A função da Polícia Militar é a guarda externa. Apesar disso, quem não cumprir é punido”. De acordo com Mello Irmão, os policiais que estão no interior da unidade não fazem somente a segurança dos operários, mas também os serviços que são de responsabilidade dos agentes penitenciários. “A função de carceragem é dos agentes penitenciários”. Conforme ele, a guarda dos presos durante o banho de sol, a retirada deles das celas, revistas quando saem para atendimento em hospitais ou audiências, estão sendo feitas somente com a presença de um policial, que não tem esta função. No documento que será enviado à Justiça a Associação irá buscar respaldo judicial para que os policiais façam apenas a segurança dos operários que trabalham na reforma da unidade, parcialmente destruída durante a rebelião. “Não vamos pedir mais reforço porque não é função da Polícia Militar cuidar de presos. Isso é inconstitucional”. “Se acontecer alguma coisa com os policiais a responsabilidade será da Justiça, que já terá conhecimento da situação”, disse Mello Irmão, que também teme pela segurança dos policiais. “Estão brincando com a vida dos policias. Eles não podem correr esse risco”, disse ele, que ameaça com medidas drásticas, como a suspensão dos serviços, caso a situação não seja regularizada. Fontes ouvidas pela reportagem confirmaram que a situação no interior do presídio é crítica. Conforme relatado por elas, apenas oito policiais ficam no interior da unidade e todo procedimento do agente penitenciário junto ao preso é acompanhado por eles, que andam armados pelos corredores. “Somos oito policiais armados e 12,15, presos por cela. Quando eles saem para o banho de sol, corremos o risco de tomarem nossas armas no corredor. E se acontecer alguma coisa, quem será responsável?”, disse um policial que preferiu não ter o nome revelado.

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