01/06/2015 12h06 – Atualizado em 01/06/2015 12h06

As ações criminosas aconteceram entre sábado e domingo, onde os vândalos invadiram as salas e estragaram materiais didáticos, documentos e furtaram vários objetos; esta é a 11ª ocorrência registrada no local desde a inauguração

Fábio Jorge

Em Três Lagoas, a Escola Estadual Luiz Lopes de Carvalho foi alvo de bandidos duas vezes consecutivas neste fim de semana. No último domingo (31), o diretor do colégio registrou queixa de furto, após chegar ao estabelecimento e encontrar as portas de várias salas arrombadas.

Conforme o boletim de ocorrências, o diretor alegou que compareceu à escola no domingo para adiantar alguns trabalhos, pois entraria de férias, quando verificou que a porta da secretaria estava sem corrente e cadeado. No local, os bandidos reviraram os armários de documentos, espalhando pastas e papéis pelo chão. De lá, foram subtraídas chaves das portas das demais salas do prédio, além de um mouse de computador.

Da sala dos professores, os autores do furto roubaram materiais esportivos como bolas, jogos de tabuleiro, um aparelho de som e várias latas de refrigerantes que estavam na geladeira. A sala da direção também foi invadida, sendo levados vários bonés, pertencentes a alunos, um cofrinho com moedas e uma chave Philips.

A ação seguiu para a coordenação de onde foi levado um celular novo, que seria rifado pela escola, além de R$ 400, dinheiro adquirido através da rifa.

SEGUNDA INVASÃO

Já na segunda-feira, novamente a Polícia Militar foi solicitada a comparecer na Escola sob a denúncia de uma segunda invasão. Dessa vez, a diretora adjunta Solange Mitie Ono, que assumiu a diretora nesta manhã (01), encontrou o local com sinais de invasão. Sendo a segunda em dois dias, a Escola contabiliza 11 ocorrências desta natureza de crime.

Segundo Solange, os invasores deixaram a boqueta da cozinha aberta, mas, aparentemente, nada foi levado do local, visto que dos armários que estavam com as portas abertas, todos os pertences estavam organizados. Apenas duas facas, pertencentes à escola foram retiradas da gaveta, mas não foram levadas.

A classe da pré-infância foi uma das mais arrasadas. Os bandidos destruíram diversos materiais escolares de uso das crianças, como lápis, papeis, gizes e outros. Do local, foi roubado um aparelho de DVD, utilizado nas atividades didáticas.

Solange também encontrou uma faca e algumas chaves das salas do colégio espalhadas pelos corredores e grama, levantando a suspeita de que os invasores deixaram cair ou dispensaram àquelas referentes às salas já invadidas. Uma bola de futebol murcha também foi localizada próxima ao muro que fica de fundos com a Rua Osmar Tacito de Lima.

SEM SEGURANÇA E RECURSOS PARA TRABALHAR

A diretora Solange ainda ressaltou as dificuldades que os funcionários passam diariamente desde que o colégio foi inaugurado. Segundo ela, desde agosto de 2014, a escola está sem telefone fixo, quando foi invadida e os bandidos cortaram os fios. “Qualquer ligação, seja para pais de alunos ou até para a Secretaria Estadual, nós fazemos pelos nossos celulares”, disse.

Quanto à segurança, a diretora informou que não existe nenhuma e não há qualquer previsão do Governo Estadual para isso. “No início, havia um inspetor e um agente de portaria que zelavam pela segurança e portões durante os turnos da manhã e tarde. Hoje, sem o agente, nós da secretaria nos revezamos para o desempenho dessa função. Estamos sem segurança patrimonial e, muito menos, alarmes e sistema monitorado. Essas invasões e furtos aconteceram evidentemente pela madrugada, momento em que a escola está sem ninguém”, frisou Solange.

Ela disse que a Secretaria Estadual de Educação foi comunicada todas as vezes que a escola sofreu ações criminosas, inclusive, foi enviado um orçamento para a contratação de um vigia, mas até o momento o órgão não tomou nenhuma providência para melhorar a situação da escola e dos trabalhadores. “Com quase mil alunos, a escola funciona diurnamente e no noturno, apenas a sala do Projovem Urbano. Mesmo com essa demanda, a quantidade de funcionários é insuficiente, sobrecarregando quem já está em atividade”, declara Solange.

PROTESTO EM TRÊS LAGOAS

No dia 15 de maio, os alunos e professores da Escola Luiz Lopes realizaram protestos na cidade em razão das situações críticas e falta de recursos que a escola se encontra atualmente. Com equipamentos e eletrodomésticos emprestados, a instituição não possui bebedouro e muitas coisas são adquiridas pelos próprios funcionários. Os manifestantes pediram apoio aos vereadores e à Prefeita Márcia Moura, para que solicitem ao Governo do Estado medidas urgentes para melhorar as condições de trabalho e garantir um bom ensino aos estudantes. A Escola foi inaugurada dia 11 de abril do ano passado pelo Governador André Puccinelli.

Sem segurança, a direção fica de mãos atadas diante dos prejuízos. (foto: Fábio Jorge)

Sala da pré-infância, arrasada pelos invasores. (foto: Fábio Jorge)

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