12/07/2012 08h55 – Atualizado em 12/07/2012 08h55

Níveis de poluição estão acima dos índices aceitáveis

De acordo com técnicos que monitoram qualidade da água, a obra da nova ponte não tem relação com a poluição

Edmir Conceição

O monitoramento da qualidade da água do rio Paraná na área de influência da obra da nova ponte detectou altos índices de poluição causada por esgoto doméstico. De acordo com o ITTI-UFPR (Instituto Tecnológico de Transportes e Infraestrutura da Universidade Federal do Paraná), considerando os critérios da Resolução 357/2005 do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente), a poluição do rio Paraná, na margem sul-mato-grossense, está acima do aceitável.

“Nos pontos localizados na margem sul-mato-grossense o índice de coliformes está acima do valor considerado como aceitável pela Resolução do Conama, embora esses números não tenham relação com a obra”, informa o Instituto.

Conforme os técnicos, os níveis elevados se devem a uma tubulação com saída de esgoto doméstico diretamente no rio. As análises foram feitas próximo da obra da nova ponte, no Jupiá, onde a poluição é um problema antigo e que já ensejou duas campanhas anuais de limpeza.

“Por se tratar de um canal de acesso à eclusa [da barragem do Jupiá], a velocidade da água no trecho é baixa, dificultando a dispersão dos efluentes, o que mantém a concentração em níveis elevados”, explica o supervisor ambiental do ITTI-UFPR, José Thiago Nogueira.

De acordo com Nogueira, a origem do esgoto não tem relação com o canteiro de obras: “As saídas de esgoto do canteiro de obras são ligadas diretamente na rede de esgoto de Três Lagoas, sem gerar impactos diretos ao meio ambiente”.

Já na margem paulista não há nenhum índice acima dos padrões exigidos pelo Conama, segundo as análises realizadas pelo instituto.

QUALIDADE DA ÁGUA

As obras da nova ponte sobre o rio Paraná, entre Três Lagoas e Castilho, não afetam a qualidade da água do rio Paraná, segundo o Instituto, que é responsável pela série de programas socioambientais que serão desenvolvidos durante a execução dos trabalhos.

As obras da ponte seguem o cronograma e devem ser concluídas entre fim de 2013 e início de 2014. Com extensão de 1.344 metros, a ponte vai custar R$ 113 milhões, segundo o orçamento inicial. Os recursos são do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e vai desafogar o tráfego sobre a barragem da Hidrelétrica de Jupiá.

Para Três Lagoas, a nova ponte passa a ser uma demanda reprimida, em razão da expansão industrial, que está exigindo do município obras de infra-estrutura e logística. Muitas empresas chegam a cobram o compromisso da infra-estrutura.

Desde o início da obra que ligará Três Lagoas a Castilho, em junho de 2011, o ITTI-UFPR monitora a qualidade da água do rio Paraná. O estudo é parte do Programa de Proteção de Corpos Hídricos, que visa identificar eventuais processos de contaminação e poluição da qualidade da água, a partir da detecção de quaisquer influências em função do empreendimento.

A primeira avaliação foi realizada em junho de 2011, que concluiu que a qualidade da água estava de acordo com a classe do rio denominada na Resolução do Conama. O próximo estudo está previsto para outubro.

RIOS BRASILEIROS

Em março a Fundação SOS Mata Atlântica divulgou dados alarmantes sobre a qualidade da água nos rios brasileiros: de 49 análises de água realizadas em 11 estados, nenhum dos rios, córregos e corpos d’água apresentaram nível de qualidade “bom” ou “ótimo” – 75,5% foram classificados como “regular” e 24,5% como “ruim”.

“O papel de programas de gestão ambiental como o que acontece na ponte sobre o rio Paraná é identificar se a obra está ou não poluindo. Por conta disso, o Instituto exige que a construtora adote medidas para evitar a contaminação do rio, como o controle de vazamento de combustíveis e óleos, além da orientação para os trabalhadores em relação ao descarte correto do lixo”.

Margem sul-mato-grossense do rio Paraná recebe lixo de turistas e esgoto da Colônia de Pescadores. (Foto: Arquivo/Perfil News)

Nova ponte sobre o rio Paraná é construída na esteira de vários programas sócioambientais. (Foto: Edmir Conceição)

Segundo Instituto que monitora impactos, obras de nova ponte sobre o Paraná não têm relação com poluição por esgoto. (Foto: Edmir Conceição)

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