Boletim divulgado hoje mostra a evolução da doença no país

Dados do Boletim Extraordinário do Observatório Covid-19 Fiocruz, divulgado nesta quarta-feira, 14, mostram que a tendência de alta de transmissão da Covid-19 se manteve no país, com valores recordes no número de óbitos (média de 3.020 mortos/dia) e aumento de novos casos (cerca de 70.200 casos diários).

Outro indicador estratégico, a taxa de ocupação de leitos de UTI Covid-19 para adultos no SUS, se manteve predominantemente estável e muito elevada. Destacam-se a saída do Maranhão (78%) da zona de alerta crítico para a zona de alerta intermediário e quedas do indicador no Pará (87% para 82%), Amapá (de 91% para 84%), Tocantins (de 95% para 90%), Paraíba (de 77% para 70%) e São Paulo (de 91% para 86%).

O mapa divulgado pela Fundação aponta que apenas o Mato Grosso do Sul mantém-se com ocupação de leitos em 100%.

Além de MS, outros quinze estados e o Distrito Federal encontram-se com taxas de ocupação superiores a 90%: Rondônia (96%), Acre (92%), Tocantins (90%), Piauí (94%), Ceará (97%), Rio Grande do Norte (98%), Pernambuco (97%), Sergipe (94%), Minas Gerais (91%), Espírito Santo (95%), Rio de Janeiro (90%), Paraná (95%), Santa Catarina (97%), Mato Grosso (98%), Goiás (96%) e Distrito Federal (98%), conforme ilustração abaixo:

De acordo com o documento, na última semana epidemiológica (4 a 10 de abril de 2021) foram registrados valores recordes de óbitos por Covid-19, superando a marca de 3 mil mortes diárias. No entanto, de acordo com a Fiocruz, se observa uma tendência de estabilização do número de casos a partir de abril. Foram notificados no país uma média de 70.200 casos diários e 3.020 óbitos por dia na última semana epidemiológica.

O número de casos aumentou a uma taxa de 0,9% ao dia, enquanto o número de óbitos por Covid-19 aumentou 1,1% ao dia, isto é, ligeiramente mais lento que o verificado na semana anterior (1,5%), mostrando uma tendência de desaceleração, mas ainda não de contenção, da epidemia.

Foi observado, também, a manutenção da tendência de aumento da taxa de letalidade, que se encontrava na faixa de 3% em março e subiu para 4,3% na última SE, o que, segundo a Fundação, “pode ser consequência da falta de capacidade de se diagnosticar correta e oportunamente os casos graves, somada à sobrecarga dos hospitais”, que, devido à superlotação, tornaram “difícil o acesso de pacientes aos cuidados necessários e também possivelmente comprometido a qualidade do cuidado ofertado”.

Medidas de restrição

Ainda de acordo com o documento, “as medidas de restrição de mobilidade e de algumas atividades econômicas, adotadas nas últimas semanas por diversas prefeituras e governos estaduais, estão produzindo êxitos localizados e podem resultar na redução dos casos graves da doença nas próximas semanas”. No entanto, essas medidas ainda não
tiveram impacto sobre o número de óbitos e no alívio das demandas hospitalares. “A flexibilização de medidas restritivas pode fazer retomar ritmos acelerados de transmissão e, portanto, de casos graves de Covid-19 nas próximas semanas”, adverte a Fundação.

Comentários