19/09/2019 08h47

Pesquisa clínica aponta que ausência do nutriente aumenta em até 75% o risco de desenvolvimento da doença; veja como tomar sol do jeito certo para obter a vitamina

Gisele Berto

A falta de vitamina D pode aumentar o risco de depressão em pessoas com mais de 50 anos. É o que aponta o estudo feito na Irlanda e publicado no Journal of Post-Acute e Long-Term Care Medicine.

Especialistas responsáveis pela pesquisa acompanharam 3.965 pessoas nesta faixa etária durante quatro anos e constaram que 400 pessoas haviam desenvolvido depressão. Os participantes do grupo com nível baixo de vitamina D foram os que mostraram um risco 75% maior de apresentar a doença.

O psiquiatra Kalil Dualibi, presidente do Departamento Científico de Psiquiatria da Associação Paulista de Medicina (APM), reforça que relação entre o nível de vitamina D e a saúde mental é estudada há séculos pela comunidade médica. “Para se ter como exemplo, em textos do Tratado de Hipócrates já havia menções sobre o hábito de tomar banho de sol para melhorar o humor”, explica.

A vitamina D pode ser útil para prevenir a depressão e também ajudar no tratamento de pacientes que já apresentam quadro depressivo. Para Dualibi, é fundamental verificar o nível de vitamina D nos pacientes com depressão e fazer suplementação sempre que necessário. “Atendi um paciente frustrado por estar em tratamento há tempos sem ter sucesso. Quando pedi exames, a vitamina D dele estava baixíssima, perto de 8ng/ml. Depois da suplementação, ele melhorou muito e nem precisei alterar as medicações”, afirma o médico.

Para o especialista, pessoas com depressão devem ter atenção especial quando o assunto é o nível de vitamina D – assim como as que apresentam doenças crônicas como diabetes, hipertensão e osteoporose. “Pacientes com depressão também estão entre os grupos de risco porque eles costumam não ter vontade de sair de casa e a exposição ao sol é muito importante para produção da vitamina D”, lembra o especialista.

A falta do nutriente também está associada à diminuição da imunidade e ao comprometimento da massa óssea, o que pode favorecer o desenvolvimento de osteoporose. Sem o nível ideal de vitamina D, apenas entre 10% e 15% do cálcio é absorvido pelo organismo. Além disso, a ausência da vitamina tem relação com a evolução do raquitismo e até alguns tipos de câncer.

O Sol é a melhor alternativa – mas não a única

Segundo o reumatologista Cristiano Zerbini, a exposição ao sol é responsável por 90% da absorção de vitamina D pelo organismo. Para isso, é necessário expor partes específicas do corpo – como braços, pernas, pescoço e rosto – durante 15 a 45 minutos, entre o período das 10 às 16h30, sem filtro solar.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia defendeu que pessoas com pele muito clara, que têm maior risco de câncer de pele, sempre usem protetor solar e, apenas três vezes por semana, tomem sol – só nos braços. Segundo a entidade, essa exposição já é suficiente para um aporte adequado de vitamina D.

Pela alimentação também é possível obter a vitamina, mas é mais difícil. De acordo com Dr. Dualibi, para atingir 2.000UI de vitamina D seria preciso ingerir cerca de 422g de salmão por dia ou 706g de sardinha (seis latas) ou ainda 80 gemas de ovo.

Para quem não pode se expor ao sol com frequência há a opção da suplementação. Atualmente no mercado é possível encontrar a vitamina D em cápsulas moles, de fácil ingestão

Sol é responsável por 90% da absorção de vitamina D pelo corpo.

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