29/07/2017 16h20

Foco nos treinos, alimentação regrada, e uma vida voltada à natação: o 2º colocado nos 50m livre do Mundial de Budapeste admite não ter um dom tão expressivo, mas ressalta o valor da dedicação.

Da redação

Aqui é trabalho. A frase atribuída ao técnico Muricy Ramalho por tantos anos encaixa perfeitamente na carreira de Bruno Fratus, medalhista de prata, neste sábado, no Campeonato Mundial de natação na prova dos 50m livre. Ele não tem exatamente o biotipo de um velocista, com 1,87m, era o segundo mais baixo da final do campeonato na Hungria, por exemplo. O próprio nadador, de 28 anos, admite que não é tão talentoso como alguns de seus rivais. O segredo então é treinar, trabalhar, malhar… e repetir esse processo diariamente, sem desanimar, até acertar.

“É muita coisa, eu trabalho muito, eu não me considero um cara talentoso, tenho um pouco de talento, claro, mas trabalho para C…, ralo a bunda no asfalto todo o dia, acordo cedo pronto para sentir dor, nadar, me alimentar bem e voltar “, disse, em tom de desabafo.

Bruno mora em Auburn, nos Estados Unidos, com a esposa Michelle Lenhardt, ex-nadadora, que participou dos Jogos Olímpicos de Pequim 2008 e foi prata nos Jogos Pan-Americanos de 2011, em Guadalajara. Lá, dedica 100% do tempo aos treinos e a família.

A saída do bloco, na largada, era um dos pontos fracos de Bruno Fratus há alguns anos. Logo nos primeiros metros, já ficava centímetros atrás dos rivais. Atualmente, ainda não tem o fundamento perfeito, mas depois de muito treino, conseguiu se igualar aos melhores do mundo no quesito:

“É treino, não tem segredo. É treino, treino e treino. Não tem segredo, é trabalho, consistência, ir para piscina e sala de peso todo dia. Fazer tudo de forma consistente. Não adianta treinar uma vez bem e o resto mal. Tem que treinar bem todos os dias, é continuar dando cabeçada. Não deu, tenta de novo, de novo e de novo. Repetição leva para a perfeição. Não estou ganhando ainda, vou ter que achar algo para melhorar”, disse, feliz com a prata, mas já de olho em Caeleb Dressel, campeão mundial.

Bruno Fratus era tido como grande esperança de medalha do Brasil na natação nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Ficou em sexto lugar, fazendo um tempo (21s79) bem pior do que havia marcado no fim de 2015, na primeira seletiva olímpica. Na ocasião, uma lesão na lombar atrapalhou sua preparação. Agora, se diz 100% fisicamente, após se reiventar nos métodos de trabalho.

“Toda vez que você treina, você se machuca, não tem jeito. É que nem o carro, você usa, vai estourar uma hora. Eu aprendi a lidar com isso. Mudei alguns métodos de treino, principalmente no peso da musculação, comecei a escutar meu corpo na parte emocional. Uma lesão tem um fator emocional”, disse Bruno.

Quarto colocado na Olimpíada de Londres 2012 e sexto nos Jogos do Rio de Janeiro, em 2016, Fratus se vê brigando pelo pódio em Tóquio 2020:

“Vou estar com 31 anos e quero olhar para trás e dar um pau nesse moleque que foi vice-campeão mundial hoje”, disse, sorrindo, se referindo a si mesmo.

Bruno Fratus participa neste domingo da eliminatória do revezamento 4x100m medley do Brasil, mas, em caso de classificação, não deve nadar, dando lugar a Marcelo Chierighini. Além do vice-campeonato neste sábado nos 50m livre, foi uma peça importantíssima no revezamento 4x100m livre que conquistou a prata no último domingo. Depois da prova aproveitou para elogiar o companheiro Cesar Cielo, que terminou em 8º na final.

“Cesar Cielo é o melhor de todos os tempos. Acho que isso é indescutível. Ele é o mlehor velocista de todos os tempos. A natação brasileira deve muito a ele, o esporte brasileiro deve muito a ele. O legado dele é inabalável”, disse.

Bruno Fratus é prata nos 50m livre em Budapeste (Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA) Bruno Fratus é prata nos 50m livre em Budapeste (Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA)

(*) Informações com Globoesporte.com

 O segredo então é treinar, trabalhar, malhar... e repetir esse processo diariamente, sem desanimar, até acertar. (AFP)

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