24/10/2015 09h45 – Atualizado em 24/10/2015 09h45

Eduardo Musa, um dos delatores da Operação Lava Jato, contou aos investigadores que, desde que entrou na estatal, há quase 40 anos, ‘ouvia falar do pagamento de vantagem indevida nas mais diversas áreas’

Da redação

Eduardo Musa, ex-funcionário da Petrobras, e um dos delatores da Operação Lava Jato, afirma que o pagamento de propina na mais importante estatal do País é quase 40 anos anterior à deflagração da maior operação da Polícia Federal contra corrupção. Em delação premiada, Musa contou que trabalhou na companhia entre 1978 e 2009.

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A Lava Jato investiga um esquema de corrupção que teria se sistematizado na Petrobras entre 2004 e 2014. Durante este período, grandes empreiteiras do País, cartelizadas, pagaram propinas a dirigentes e gerentes da estatal. Executivos da Camargo Corrêa, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, o ex-gerente de Engenharia da companhia Pedro Barusco, o doleiro Alberto Youssef e os operadores financeiros Julio Camargo, Mário Góes, Shinko Nakandakari são alguns dos delatores que confessaram o esquema na companhia.

Eduardo Musa declarou à força-tarefa da Lava Jato que entrou na Petrobras em 1978, por meio de concurso público. O executivo disse que ficou na companhia até janeiro de 2009. Ele contou que em 2003 perdeu o cargo que ocupava na gerência geral de Gás e Energia e foi trabalhar na área de Exploração e Produção.

“Desde que entrou na Petrobras se ouvia falar do pagamento de vantagem indevida nas mais diversas áreas, mas somente em 2006 o declarante começou a tomar conhecimento de forma direta”, declarou Eduardo Musa.
Entre 2003 e 2006, Eduardo Musa afirma ter trabalhado na BR Distribuidora. De 2006 até se aposentar, ele relatou ter sido gerente-geral da área Internacional.

Musa não chegou a ser preso pela Lava Jato. Enquanto esteve na Diretoria Internacional da Petrobras, trabalhou sob o comando de dois ex-diretores que estão detidos em Curitiba – sede das investigações de corrupção na estatal -, Nestor Cerveró e Jorge Zelada. A área era uma cota do PMDB no esquema de fatiamento político das diretorias da estatal para arrecadação de propina sistematizado a partir de 2004.

Em sua delação, Musa declarou que um contrato de US$ 1,6 bilhão assinado pelo Grupo Schahin com a Petrobras, entre 2006 e 2007, para operação do navio-sonda Vitoria 10000 fez parte da quitação de uma dívida de campanha do PT com a empresa referente à campanha eleitoral de reeleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O ex-gerente disse ainda ter ouvido que “quem dava a palavra final” em relação às indicações para a Diretoria Internacional da Petrobrás era o presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

(*) Estadão

Trecho divulgado da delação de Eduardo Musa, ex-funcionário da Petrobras. (Foto: Divulgação)

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