19/01/2019 07h24

Equipes de SP e Campo Grande vieram fazer a extração, que beneficiará outras pessoas; para ser doador é preciso expressar sua vontade à família, que é quem autoriza a doação

Gisele Berto

O falecimento de um ente querido é um choque, mas também pode ser uma demonstração de amor e respeito por quem se foi e pelos que ficam.

Ontem, 18, em Três Lagoas, após receber a triste notícia da morte de um parente, uma família cumpriu o desejo manifestado pela pessoa em vida, de que queria doar seus órgãos, e permitiu a extração do fígado, rim direito, rim esquerdo, córnea e coração, que agora irão ajudar outras pessoas que sofrem nas filas de transplante.

Devido ao sigilo dos protocolos de doação não são divulgados detalhes sobre o doador. A extração dos órgãos aconteceu no Hospital Auxiliadora e foi realizada por equipes dos hospitais Sirío Libânes, Incor, Bandeirantes e Santa Casa de Campo Grande. É a quinta extração de órgãos realizada no Auxiliadora.

Para o enfermeiro coordenador do Pronto Socorro do Hospital Auxiliadora e membro da Cihdott (Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes), Carlos Júnior Barbosa, o sentimento ao participar de um processo como esse é de gratidão e reflexão. “Estamos diante da nossa 5ª captação. É um momento de muita emoção, pois sabemos que cinco pessoas serão beneficiadas com essa atitude. Agradecemos ao doador e à família por tamanha generosidade”, disse o enfermeiro.

SEJA DOADOR

Qualquer pessoa pode ser doador de órgãos, desde que expresse esse desejo aos familiares. É a família quem tem o poder de autorizar ou não a extração de órgãos.

De acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), de cada oito potenciais doadores, apenas um autoriza a extração dos órgãos. Enquanto em países como Espanha – referência mundial quando o assunto é transplante – são registrados perto de 40 por milhão, no Brasil essa taxa está próxima de 15.

Diversos fatores contribuem para este número, mas um dos principais é a negação familiar, uma vez que no Brasil, para ser doador, não é preciso deixar nada por escrito, e sim comunicar à família, pois somente os parentes podem autorizar a doação.

Equipe participou da extração dos órgãos, que serão doados para pacientes que aguardam nas filas de transplantes. Foto: Divulgação HNSA.

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